sábado, 31 de janeiro de 2009

ALIMENTAÇÃO O MELHOR FARMACO

Do ponto de vista nutricional existe uma diferença fundamental entre os organismos chamados autotróficos - os que possuem os meios de sintetizar por si mesmos os compostos orgânicos que necessitam, e os heterotróficos - que são os que não podem fazê-lo. Os primeiros são as plantas verdes que retiram do solo e do ar as moléculas inorgânicas, especialmente água e anidrido carbônico, transformando-às através da fotossíntese em moléculas orgânicas. Os segundos são os animais, entre estes o homem, que se restringem a retirar do ambiente esterno os compostos orgânicos já prontos, limitando-se a elaborá-los através de seu organismo para adaptá-los as próprias exigências.
A relação dos princípios nutritivos imprescindíveis à vida do homem coincide em boa parte com as substancias que compõem o seu corpo: água, sais minerais, açucares, gorduras e proteínas. A estes tem que ser acrescidas as vitaminas as quais, mesmo se não tem uma função alimentar direta porque não fornecem energias ou estruturas permanentes, são indispensáveis à vida porque regulam numerosos processos fisiológicos.
Os açucares ou glucídios, são compostos constituídos por carbono, hidrogênio e oxigênio, chamados também hidratos de carbono. Estes compostos não incluem só as substancias doces como a glicose e a sacarose, mas também os chamados polissacarídeos, entre os quais o amido - a principal substancia de reserva das plantas que o homem assume fundamentalmente consumindo pão, massa, arroz e batatas.
Alguns glucídios se compõem com proteínas e gorduras, e se destinam à constituição de estruturas celulares, mas a grande maioria deles é levada para o interior das células onde literalmente queimam como se fossem um combustível qualquer, e são transformados em anidrido carbônico (CO2) e água (H2O).
Ao longo deste processo, que acontece graças ao oxigênio que é absorvido através da respiração, é produzida a energia que é armazenada nas moléculas chamadas adenosina trifosfato ou, mais simplesmente ATP. Estas moléculas são a fonte de energia para a contração muscular, a batida cardíaca, para o transporte de material de natureza variada de um lado para o outro do corpo, e para muitas outras funções indispensáveis à vida orgânica.
As gorduras, chamadas tecnicamente lipídios, também são compostos formados por carbono, hidrogênio e oxigênio, que produzem mais do que o dobro da energia que é produzida pelos glucídios, mas queimam com maiores dificuldades devido à escassez de oxigênio presente na molécula, e pelo maior numero de reações necessárias para a sua transformação. Estes, se não forem imediatamente utilizados, se acumulam formando tecidos adiposos que tem a função de reter energias e dar sustentação a vários órgãos internos, como por exemplo os rins.
Os lipídios são absorvidos sob a forma de gorduras se de origem animal, e de óleos se de origem vegetal. As gorduras, na temperatura ambiente, têm consistência sólida enquanto os óleos são líquidos. O essencial, para o homem, é a estrutura molecular dos lipídios, uma vez que podem ter duplas ligações entre os átomos de carbono que constituem a molécula, ou então ligações simples.
Os lipídios com ligações duplas são chamados “não saturados” e são contidos em organismos vegetais, enquanto os que possuem ligações simples são chamados “saturados” e são contidos, sobretudo, nos organismos animais.
Quando os lipídios saturados são consumidos descontroladamente, aumentam o nível de colesterol no sangue e favorecem a arteriosclerose. Eles também são responsáveis por descompensações cardíacas e cardiopatias, sendo assim associados a um aumento do risco de infarto, enquanto os ácidos gordurosos não saturados, por produzirem um efeito contrário, assumem uma função importante na prevenção da arteriosclerose e na redução do colesterol no sangue.
Existe uma exceção entre os animais que é representada pelo peixe que contem gorduras com duplas ligações – portanto não saturada, e entre as plantas o óleo de palma de coco, largamente utilizada na fabricação de chocolate e de outros produtos da industria de doces, que contem lipídios com ligações simples - portanto saturada.
As proteínas, chamadas também protídeos, são compostos quaternários cuja molécula é constituída de carbono, oxigênio, hidrogênio e azoto, este ultimo um elemento indispensável para o desenvolvimento de tecidos vivos. As complexas moléculas protéicas são formadas pela união de um relevante numero de compostos de estruturas mais simples chamados aminoácidos. Os aminoácidos são assim chamados porque contém em suas moléculas o grupo funcional típico dos compostos conhecidos como aminas, que lhes conferem propriedades alcalinas, e aquele dos ácidos orgânicos que tem propriedades opostas. As proteínas podem se combinar com os ácidos ou com as bases, subtraindo estes compostos da solução e protegendo, desta forma, o protoplasma das bruscas variações de acidez ou alcalinidade.
As substancias que mantem constante o equilíbrio acido-base no interior das soluções chamam-se tampões. Assim sendo, os aminoácidos são tampões. São vinte os tipos de aminoácidos presentes nas proteínas, mas entram nos compostos as centenas, sempre exemplares diferentes, predispondo-se em sucessões tais que transformam as proteínas praticamente em um numero infinito. Por este motivo a constituição de cada organismo possue proteínas totalmente diferentes de todos os demais, a exceção dos gêmeos monos-ovulares que as possuem iguais. É devido a esta especificidade das proteínas, que os transplantes de tecidos e órgãos entre indivíduos diversos são quase sempre rejeitados pelos organismos sobre os quais são implantado, em outras palavras, o fenômeno da rejeição. Mesmo um simples espinho ou qualquer outro corpo estranho que penetra acidentalmente em um organismo, antes ou depois é espontaneamente rejeitado, como muitos sabem devido a experiências já vividas.
As proteínas podem-se ligar também a compostos de natureza diversa formando as chamadas proteínas conjugadas. Entre estas as mais importantes são as nucleoproteínas (DNA, RNA e ATP) as quais exercem funções de primeira ordem em todos os fenômenos vitais.
Os protídeos estão presentes sobretudo nos alimentos de origem animal: carne, peixe, ovos, leite e queijo, todos produtos que contem também gorduras em medida mais ou menos relevante. Entre os alimentos de origem vegetal, são ricos de proteínas os legumes como o feijão, ervilha, lentilhas, fava, milho etc.
Durante o período de crescimento, a função das proteínas é, sobretudo, a de formar nova matéria viva (função plástica), mas quando o organismo se torna adulto - portanto não mais cresce, usa as proteínas depois de ter eliminado o azoto da molécula para extrair energia como faz com os glucídios e lipídios (função energética).
O azoto que as proteínas descartam vai formar moléculas de uréia - um produto descartável solúvel na água, que periodicamente é expulso com a urina. Uma pequena parte dos aminoácidos contidos nas proteínas, no entanto, é utilizada para repor as perdas, sobretudo no caso de doenças, ou para substituir as moléculas mais velhas.
O organismo humano é capaz de sintetizar um certo numero de aminoácidos, utilizando como matéria-prima outras substancias não proteínicas contidas nos alimentos. Dez aminoácidos, todavia, devem necessariamente serem ingeridos com o alimento, porque faltam as enzimas apropriadas para sintetizá-los no interior do organismo; por este motivo são chamados essenciais. A carência de um só destes aminoácidos essenciais pode prejudicar a utilização de todos os demais. Deste modo, é indispensável que na dieta alimentar estejam presentes todos os aminoácidos essenciais nas proporções adequadas. Isso se consegue incluindo na alimentação muitos produtos de origem vegetal.
Entre os alimentos, é forçoso incluir também as vitaminas: sais minerais e água, substancias que não necessitam de transformações químicas, e que por assim ser, são absorvidas diretamente junto com os demais produtos da digestão. Estas substancias se encontram associadas ao alimento em quantidade suficiente, com uma exceção: o clorato de sódio - o sal de cozinha, que deve ser acrescido á água.
Uma dieta bem equilibrada não necessita, desde que não haja descompensações orgânicas, ser complementada com sais ou vitaminas, porque o ferro, por exemplo, um elemento muito importante na construção da hemoglobina - a complexa proteína que se encontra nos glóbulos vermelhos do sangue, se encontra na carne, especialmente na vermelha, nos ovos, nos legumes e nas folhas de algumas hortaliças entre as quais o espinafre, mas não é facilmente assimilável. Contudo, se torna assimilável se consumido com alguma fonte de vitamina C que é abundante nos frutos cítricos como o limão. Assim sendo, temperar o espinafre com suco de limão é uma ótima solução mesmo para o paladar.
O cálcio, mandatário para a formação dos ossos e dos dentes, necessita de um adequado aporte de vitamina D para ser absorvido, e a fonte desta vitamina é o óleo de fígado de peixe, a sardinha, carne animal, manteiga, leite ou ação dos raios ultravioletas - o sol - sobre a pele.
O iodo, indispensável para a construção de hormônios, no Brasil é acrescido ao sal de cozinha por força de lei - talvez até em níveis altos demais, porque é acusado de ser uma das causas do alto numero de mulheres que neste país sofre de hipotiroidismo. Mas a principal fonte alimentar deste elemento é o peixe.
No que diz respeito às vitaminas, elas se encontram em quantidades mínimas em todas as células, mas são mais concentradas naqueles tecidos - animais ou vegetais - que representam a mais elevada atividade metabólica como o fígado, os rins e os brotos das plantas. Algumas vitaminas como a A e a D são sintetizadas das bactérias presentes no organismo humano, ou seja, a chamada flora intestinal, a partir de certos precursores incompletos que são ingeridos com o alimento. Os vegetarianos integrais, os que não consomem nem ovos ou leite, devem complementar a sua dieta com vitamina B12 que é totalmente ausente nos vegetais.
É um erro fazer largo uso de vitaminas por julgar que elas fazem bem. Em verdade, as vitaminas quando consumidas em excesso são tóxicas, mas enquanto isso, uma dieta variada e equilibrada fornece o necessário aporte diário de cada uma delas sem ter que recorrer a fontes sintéticas. Não obstante, é de bom alvitre lembrar que muitas vitaminas são destruídas quando o alimento é cozido. Isso vale particularmente para a vitamina C, presente nos cítricos e em muitos outros vegetais. Para superar esta circunstancia, a dieta alimentar deve inevitavelmente incluir muita fruta e seus respectivos sucos, lembrando que estes devem ser consumidos imediatamente após serem extraídos porque algumas vitaminas, como a C, são voláteis. Esta vitamina, como vimos, é de fundamental importância para a fixação do ferro, mas é muito útil também para combater processos infectivos e nos organismos dos fumantes.
A água, em fim, é considerada um alimento “plástico” porque, como as proteínas, produz tecido vivo. Com a idade, os tecidos perdem a água e encarquilham deixando a pele cheia de rugas, por isso, especialmente as mulheres, procuram combater a desidratação da pele utilizando cremes hidratantes.
A necessidade de água, nos climas temperados, é de cerca dois litros diários, quantidade apta a compensar o liquido que é eliminado com a urina, a sudoração e a transpiração cutânea. Um litro de água é normalmente contido na alimentação que é consumida diariamente - alimentação caseira, não lanche, assim sendo, deve-se ingerir diretamente, por dia, mais um litro dela na forma liquida.
O alimento que é introduzido no corpo através da boca não é adequado, na forma em que se encontra, a fazer parte deste mesmo corpo. Por exemplo, se colocássemos um pouco deste mesmo alimento no liquidificador para torná-lo liquido e o injetássemos diretamente na veia, o resultado seria desastroso e provocaria com certeza a morte. Nem a mais saborosa das refeições poderia ser utilizada pelo corpo humano, porque ele tem que modificar suas moléculas para adaptá-las as suas particulares exigências. As grandes moléculas orgânicas que são ingeridas - os alimentos - devem ser destruídas e reduzidas a moléculas simples para que possam ser facilmente distribuídas a todas as células e servir de primeiro material para a preparação de novos e específicos produtos. O processo pelo qual o organismo destrói as moléculas complexas para transformá-las em moléculas simples é chamado “digestão”.
A digestão é imprescindível seja porque as moléculas complexas não podem atravessar as membranas celulares, seja porque a nova composição de moléculas complexas acontece, em todos os organismos, segundo as instruções contidas no seu próprio DNA. Por exemplo, as proteínas contidas na carne que é ingerida são diversas das que constituem o corpo humano, assim sendo, devem primeiramente ser reduzidas a simples aminoácidos para depois serem reconstruídas segundo as instruções que são fornecidas pelo especifico patrimônio genético que cada ser humano possui. Analogicamente falando, é parecido com o que acontece quando uma casa é demolida e outra diferente é construída utilizando os mesmos tijolos.
A digestão dos alimentos ocorre no aparelho digestivo, um longo tubo cujas paredes separam o que é contido no seu interior do resto do corpo.
O tubo digestivo, em outros termos, é uma parte interna do corpo humano, mas na realidade externa porque é aberta nas suas duas extremidades. A sua função é a de “peneirar” o alimento ingerido para separar a parte boa dos desjeitos que devem ser expulsos.
A digestão compreende uma serie de processos seja físicos como químicos. Entre os primeiros, existe o procedimento da mastigação que mistura e lacera os materiais ingeridos, em outras palavras, a misturação que serve para empastar e facilitar o contato entre as moléculas que deverão reagir quimicamente, e as contrações dos tecidos musculares que interessam ao tubo digestivo ao longo de todo o seu cumprimento - movimentos peristálticos - que servem para transportar o alimento de uma parte para a outra do corpo.
Os processos químicos consistem, fundamentalmente, em reações de hidrolise catalisadas por enzimas. A hidrolise é um processo químico através do qual as moléculas, ainda grossas, são maceradas com a intervenção de moléculas de água que, ao se introduzir no composto, o transformam em massa. As enzimas, ao contrario, são proteínas complexas que tem a função de facilitar e acelerar as reações químicas. Estas são também chamadas catalisadores biológicos.
Os produtos finais da digestão dos protídeos, glucídios e lipídios, são os aminoácidos, os açucares simples, os ácidos gordurosos e a glicose. Estes últimos dois compostos são os constituintes de base dos lipídios. Todo este material, formado por moléculas de estrutura relativamente simples, passa através do sistema de filtragem das paredes internas do intestino e é absorvido pelos vasos sangüíneos e pelos vasos quilíferos, que formam o segundo sistema circulatório chamado linfático. O sistema linfático percorre todo o corpo, e por fim se junta ao sangüíneo através de um vaso que se situa perto do coração. Aqui, a linfa se mistura ao sangue, levando assim o material nutritivo, com o oxigênio que está no sangue, a todas as células.
Todo o material que não foi absorvido pelas paredes do intestino, chega a etapa sucessiva do tubo digestivo, chamado intestino grosso. Neste local acontece a absorção dos sais minerais e da água, o que faz aumentar acentuadamente a consistência dos resíduos alimentares que assumem o nome de fezes. No intestino grosso vive um grande numero de bactérias que constituem a já lembrada flora intestinal. A maior parte destas bactérias são comensais, ou seja, comem e não fazem mais nada, mas alguns são simbióticas, porque alimentando-se dos resíduos da digestão, produzem algumas vitaminas importantes para organismo que os hospeda.
A quantidade de alimentos que um organismo deve ingerir diariamente e chamada ração alimentar. Mas, quais são as quantidades e as proporções de uma ração alimentar para conservar uma boa saúde? Uma forma de avaliar a quantidade de alimento que um organismo humano necessita é aquela que se relaciona ao calculo calórico, porque o corpo humano pode ser comparado a um automóvel que necessita de combustível para se movimentar. O homem, como um veiculo, precisa de combustível para desenvolver suas atividades vitais, no entanto, seu combustível não é gasolina ou álcool, mas alimento. Mas quantos alimentos são necessários diariamente?
A resposta a este quesito depende de muitos fatores, assim como a quantidade de combustível que tem que ser colocado em um automóvel depende do tipo de carro, do motor, do tamanho do tanque e da velocidade que mantem. Para o homem, a quantidade de alimento que tem que ingerir depende da idade, do seu peso corpóreo, do sexo, do clima em que vive, da estação do ano, do tipo de atividade que desenvolve, e do seu estado de saúde.
O poder nutritivo dos alimentos pode ser medido calculando o numero de quilocalorias (kcal) que se desenvolvem durante a combustão. A quilocaloria, como se sabe, é a quantidade de calor necessária para aumentar em um grau centígrado a temperatura de um litro de água. Queimando um grama de gordura se desenvolvem cerca de 9 kcal, enquanto queimando um grama de açúcar ou de proteínas se desenvolvem cerca de 4 kcal. Pode-se dizer que um homem adulto, de estrutura corpórea media, que desenvolva uma vida sedentária, para se manter em boa saúde não necessita mais do que 2000 ou 2200 kcal / dia.
É interessante notar que até aproximadamente 50 anos atrás, para a mesma pessoa, a necessidade calórica diária era muito superior, porque naquele tempo os consumos energéticos do individuo eram maiores. Naquela época não todas as residências estavam ligadas é rede elétrica, os deslocamentos de um local para o outro, incluindo as escadas, eram feitos preferencialmente a pé, e tantas outras comodidades que hoje fazem economizar energia física não eram conhecidas. Paradoxalmente, quando havia necessidade de uma alimentação mais abundante, o alimento disponível era escasso, e hoje, que a sua oferta é copiosa - e para muitos sedutora - não é mais necessário consumir muito para viver.
A necessidade calórica varia muito com a idade. As crianças e os adolescentes, por exemplo, precisam menos alimento do que os adultos, mas não na proporção do seu peso. Desde o nascimento e até o primeiro ano de vida, a criança solicita cerca de 600 kcal diariamente. o que corresponde a 100 kcal por quilo de peso corpóreo. Esta necessidade calórica diária é enorme, sobretudo se comparada à necessária na idade adulta: para um homem que conduz uma vida muito ativa a necessidade energética dia não supera as 60/70 kcal por quilo de peso corpóreo, de onde se deduz que um homem, mesmo muito ativo, é sempre menos ativo do que um recém nascido. Para verificar isso é suficiente observar o incansável espernear de uma criança no berço.
A necessidade energética de uma pessoa aumenta até os vinte anos, quando são imprescindíveis cerca de 3800/4000 kcal por dia, para depois diminuir até chegar a um mínimo de 2000 kcal / dia para os adultos que desenvolvem exclusivamente uma atividade intelectual e sedentária.
O consumo mínimo de energia necessário para manter a vida do organismo chama-se “metabolismo de base” e está ao redor de 1700 kcal ao dia para um homem jovem de 70/75 kg. Isto significa que cada dia um homem de estrutura corpórea media tem que ingerir alimento suficiente para produzir 1700 kcal tão somente para manter em funcionamento órgão fundamentais como o coração e o aparato respiratório, ou garantir a permanência do tônus muscular e da temperatura corpórea em condições de absoluto repouso e a jejum.
A esta cota calórica de base, tem que ser acrescida a necessidade ligada à atividade individual, em outras palavras, as que são chamadas quilocalorias do trabalho. De acordo com os valores supra mencionados, percebe-se que a atividade intelectiva é a que requer uma quantidade mínima de energia para ser desenvolvida.
Se o alimento ingerido contém um numero de calorias em excesso em relação à efetiva necessidade, este é acumulado no organismo como reserva, e no tempo forma depósitos de gorduras que aumentam o peso corpóreo. Se ao contrario, a quantidade de alimento ingerida é inferior às necessidades que o organismo tem para viver, este queima parte de si mesmo e o peso tende a diminuir. Portanto, o organismo humano é afortunado por ter como conservar a energia excedente na forma de gorduras, porque, se o fizesse como fazem as plantas, sob a forma de amido, seu peso seria muito maior e o volume muito mais desajeitado. As gorduras, como vimos, a paridade de peso e volume, contem muito mais energia do que os açucares.
As calorias diárias que um homem necessita para se mantem em boa saúde, podem ter origem indiferentemente de glucídios, lipídios ou protídeos. Sabemos, em verdade, que o organismo pode transformar um tipo de substancia em outro, mas até um determinado limite. A ração de proteínas, não deve jamais ser inferior a um mínimo de 50 gramas diárias por causa da incapacidade do organismo de sintetizar alguns aminoácidos. Para o resto, a proporção entre os vários alimentos depende dos costumes de cada país, da cultura familiar, e das condições econômicas. Cem gramas de proteínas produzem a mesma energia de cem gramas de amido, mas custam mais caro e produzem mais escórias. Sabe-se que nos países quentes consomem-se menos gorduras do que nos países frios.
No nosso clima, uma alimentação correta deveria conter glucídios, lipídios e protídeos, grosso modo nas proporções de 1/2, 1/3 e 1/6 do total. Por exemplo, para uma necessidade energética de 2400 kcal, 1200 deveriam ser fornecidas pelos glucídios, 800 pelos lipídios e 400 pelos protídeos. Levando em conta o conteúdo energético destas substancias, os valores em quilocalorias correspondem, em peso, a 300 gramas de glucídios (carboidratos): frutas, leite, açúcar, pão, massa, arroz, legumes, batatas etc.; 100 gramas de protídeos: carne, peixe, legumes secos e legumes frescos, e 90 gramas de lipídios - ácidos graxos: manteiga, creme de leite, óleos, margarinas. A estes compostos orgânicos deve ser acrescida a água - em boa parte já contida no alimento - os sais minerais e as vitaminas.

No entanto, no mundo industrializado, o perigo de não ingerir sais minerais e vitaminas nas quantidades corretas é inexistente - a não ser que a dieta esteja errada, porque carnes, frutas e verduras frescas fornecem os quantitativos necessários. A água, ao contrário, é muito importante na dieta, sobretudo das pessoas idosas, porque estas tendem a beber pouco liquido. Assim como é possível prevenir enfermidades só através da observação rigorosa das normas higiênicas, é possível manter boa-saúde só seguindo uma dieta correta. E, como as normas higiênicas devem ser observadas desde a mais tenra idade, a mesma verdade se aplica à dieta.
Uma dieta desequilibrada, contemplando o excesso de doces ou gorduras, por exemplo, inevitavelmente vai levar o individuo a ter que enfrentar determinadas doenças como a arteriosclerose, o diabete e outras enfermidades, que depois de eclodirem não poderão ser curadas tão somente corrigindo a dieta, mesmo se drasticamente. Naturalmente, é necessário também evitar os opostos: reduzir drasticamente a alimentação para emagrecer.
Também é errado julgar que, como os animais, o homem deve comer quando tem fome e parar quando se sente satisfeito, porque no ser humano estas sensações são importantes mas não fundamentais, porque os vícios e a gula induzem a beber ou comer mesmo quando é desnecessário. Para satisfazer a sede, por exemplo, um copo de água, refrigerante ou até de cerveja é mais do que suficiente, contudo, existem indivíduos que ingerem 2/3 litros de refrigerante diariamente, ou uma quantidade ainda maior de cerveja estejam onde estiverem. Entretanto, a contra partida também é verdadeira, e ela se manifesta quando a pessoa pelo motivo que for perde a motivação, e com ela a fome.
O homem primitivo mantinha uma dieta alimentar muito diferente da atual. Naquele passado longínquo, o modelo nutricional era rico em fibras e alimentos de origem vegetal, mesmo se carecia de ácidos graxos, açúcar refinado e sal.
Este modelo manteve-se praticamente inalterado até uma centena de anos atrás, para depois se inverter especialmente nos países industrializados. Hoje, a dieta humana enriqueceu demais em gordura, açúcar refinado e sal, e empobreceu assustadoramente em fibras, além de ter se adaptado a um ritmo de vida cada vez mais frenética, para não dizer enlouquecida, que leva a grande maioria a comer qualquer coisa no menor tempo possível.
O alimento pré-cozido ou em caixas, que contem acidulantes, corantes, conservantes além de gorduras em excesso como a “trans” ou “saturada”, indispensáveis à sua conservação, estão substituindo os alimentos mais nutritivos e com um excelente conteúdo de vitaminas e sais minerais. Esta dieta, como se vê na maioria dos países industrializados do mundo, leva a um sem numero de distúrbios, disfunções e enfermidades como as que relatamos nos capítulos anteriores, mesmo se alguns poucos indivíduos, por enquanto, se julgam a salvo destes males. Frutas, verduras cruas e cozidas, e cereais integrais, são alimentos ricos de vitaminas e fonte de fibras muito importantes para a absorção de água na ultima fase da digestão. As fibras vegetais absorvem a água como esponjas, dando origem a fezes mais volumosas que por assim serem trafegam mais rapidamente e mais facilmente ao longo do intestino grosso. Uma dieta rica de fibras, como já foi constatado cientificamente e exposto, reduz o risco de exposição a muitas doenças perigosas.
Informes a respeito do azeite extravirgem:
Ações benéficas – O Azeite extravirgem exercita numerosas ações benéficas no organismo humano: protege, desinflama, estimula a mucose intestinal, o fígado, o pâncreas e desenvolve uma ação positiva contra a diabete, arteriosclerose, doenças cardiovasculares e das vias biliares. Reduz o excesso de colesterol ruim e favorece a absorção da vitamina E, regulando, ainda, os movimentos do intestino durante a digestão.
Ações antioxidantes – O azeite extravirgem, a gordura vegetal extraída através da simples espremida da azeitona, é um dos produtos mais ricos em antioxidantes naturais. Para que servem? Entre as inúmeras reações químicas que acontecem no organismo humano, as de oxidação dão origem aos chamados “radicais livres”. Trata-se de substancias que podem se revelar danosas - isso não acontece quando o organismo está plenamente equilibrado, e causar doenças como as cardiovasculares ou tumurais. É para aniquilar os radicais livres que servem os agentes antioxidantes.
A dieta mediterrânea oferece antioxidantes em boa quantidade porque faz largo uso do azeite extravirgem de azeitonas, rica ainda em vitamina A, D e E, todas substancias que alem de contrastar a ação nociva dos radicais livres, retardam os processos de envelhecimento das células do corpo humano.
Colesterol: – O azeite extravirgem contribui para a redução do excesso do colesterol. Para sermos mais precisos, não só não gera o colesterol ruim, mas, ao contrario, favorece a criação do colesterol bom. Este zela pela integridade das artérias do homem: desmanchando eventuais placas de gordura e impedindo que esta substancia venha a aderir nas paredes das artérias fechando-as.
Muitos estudos demonstraram que os povos do mediterrâneo, desde sempre grandes consumidores de azeite de oliva, são menos sujeitos do que outros as doenças cardiovasculares, patologias tumurais e cálculos das vias biliares.
Conteúdo calórico do azeite extravirgem: – O azeite de oliva é uma gordura altamente digerível. A vantagem consiste no fato que, sendo o azeite extravirgem mais saboroso dos demais, pode ser consumido com mais parcimônia, reduzindo assim o conteúdo calórico do alimento que com ele é preparado. Foi demonstrado cientificamente que o azeite extravirgem é 100% digerível, contra 85% do óleo de semente de girassol, 81% do de amendoim e 36% do óleo de milho.
O azeite extravirgem e o cozimento: – O azeite extravirgem é uma das gorduras mais indicadas para fritar. Suporta temperaturas elevadas alcançando o “ponto de fumaça” a uma temperatura mais alta em relação às demais gorduras. O “ponto de fumaça” é aquele em que uma gordura queima criando compostos de mau sabor - gordura saturada - danosos para o fígado e às vezes tóxicos. O azeite extravirgem alcança o “ponto de fumaça” alem dos 250º. Fritando, superam-se freqüentemente os 200º, mas jamais os 250º.
O que significa azeite extravirgem: - É definido extravirgem o azeite que se obtém através da primeira espremida por processo mecânico, ou seja, sem recorrer a processos ou substancias químicas. São utilizadas tão somente azeitonas frescas, de primeira qualidade, recolhidas e espremidas sem nenhum tratamento a não ser a lavagem, a separação das folhas, à centrifugação e a filtração.
Informes a respeito do óleo de sementes.
Qualidades e defeitos: - Os vários óleos existentes, em relação ao azeite, são ricos de gordura poli-saturadas, resistem menos ao calor, mas tem a vantagem de conter alguns fatores vitamínicos indispensáveis ao organismo humano. São chamados óleos os que são obtidos de sementes através da extração por meio de solventes, e sucessivamente submetidos, para torná-los comestíveis, ao processo industrial de retificação, refinação ou filtragem.
Todos os óleos possuem o mesmo valor calórico, cerca de 900 kcal a por 100 gramas. Seu peso, para efeito digestivo, é determinado pelo fato de serem utilizados para cozinhar, em outras palavras, é quase sempre consumido cozido. Todas as gorduras, de fato, com o cozimento, sofrem transformações químicas que as tornam pesadas. Os óleos, no entanto, diferem entre si pela resistência ao calor do cozimento: O mais indicado para a fritura não são estes, como muitos crêem, mas o azeite de oliva, seguido pelo de amendoim.
O óleo de girassol tem boas características dietéticas, e é aconselhado no caso de enfermidades do aparato cardio-circulatório, e no caso de índices elevados de colesterol no sangue. Alem disso, possui uma discreta resistência ao calor e a oxidação.
O óleo de milho, se consumido cru, do ponto de vista nutricional é bom devido ao acido linolico que possui, mas é desaconselhável para fritar, assim como não se deve fritar com o óleo de soja, mesmo se este é o mais barato. Estes óleos - extraídos de qualquer tipo de semente, se forem bem protegidos do oxigênio atmosférico e da luz solar, resistem bem aos fatores esternos que tendem a degradá-los, mas é quando são utilizados ou entram no organismo humano que podem começar os problemas. Se forem utilizados crus, sem cozinhar, portanto para temperar, não existem problemas maiores, mas se forem utilizados para fritar, a intrínseca “fraqueza” de seus ácidos graxos poli-saturados e a sua excessiva abundancia, permitem que se formem, sob a ação da alta temperatura, substancias altamente tóxicas que podem provocar lesões no fígado.
Estas substancias, que fique claro, se formam também quando se frita com o azeite de oliva, mas em medida tão mínima que são inofensivas. Em muitos países da Europa, depois que estas informações foram divulgadas, a publicidade dos óleos de semente diminuiu acentuadamente, mas nenhuma contra indicação foi oferecida aos consumidores destes produtos. Assim sendo, os óleos de sementes devem ser preferencialmente utilizados crus, porque os utilizando para fritar, podem ser danosos à saúde.
A extração do óleo de sementes oleosas: amendoim, girassol, milho, soja e outros - não acontece mecanicamente, mas através de solventes e por retificação a altas temperaturas. Este procedimento modifica a posição química original, retirando-lhe vários componentes nutritivos como a vitamina E e outros compostos anti-oxidantes.
A fritura consiste na transferência de calor ao alimento através do óleo. Assim sendo, uma boa fritura só se obtém se o óleo conduz bem o calor, e se o alimento contem amido ou proteínas - substancias essenciais para a formação de uma superfície crocante e dourada - para manter no interior do alimento os sabores e aromas que lhe são particulares. Se a fritura for correta - só é possível mantendo-se a transferência de temperatura adequada - o interior do alimento permanece macio e é cozido sem grandes perdas de líquidos e nutrientes.
O óleo, antes de iniciar a fritura, deve estar bem quente, depois a temperatura tem que ser diminuída e a sua degradação depende em parte pelas suas características intrínsecas, em parte pela temperatura a que ele é elevado, e em parte pelo numero de frituras que são feitas com o mesmo óleo.
Os alimentos de origem animal, carnes, liberam no óleo quente suas gorduras saturadas, e por conseqüência modificam e pioram rapidamente a sua composição. Na temperatura em que deve ser utilizado para fritar, cerca de 180º C, o óleo é sujeitado a alterações que lhe diminuem a sua capacidade de transferir calor, tendendo a se solidificar, e por isso mesmo tornando pior a qualidade da fritura. Obviamente, o óleo tem que ser descartado antes que diminua a sua capacidade de transferir calor, porque o mantendo em uso acelera-se a sua degradação.
Em verdade, a presença de consistentes quantidades de ácidos graxos poli-saturados, e os danos que lhe foram causados durante o processo de extração, fazem com que o óleo de sementes seja mais exposto a reações oxidantes, porque estas são acionadas durante a fritura.
Informes a respeito das gorduras trans.
A industria alimentícia começa a fabricar uma boa noticia no Brasil: a redução e mesmo a eliminação, em produtos muitos consumidos, da mais nociva de todas as gorduras, a trans. Criada para dar mais sabor, melhorar a consistência e prolongar o prazo de validade de alguns alimentos, a gordura trans está na pipoca de microondas, nos salgadinhos de pacotes, nos donuts, nos biscoitos, nas bolachas, nos sorvetes, nas margarinas e em vários itens das refeições de lanchonetes fast-food, como a batata frita, os nuggets e as tortinhas doces. A trans é um importante fator de risco para infartos, derrames, diabetes e outras doenças. O melhor a fazer é tentar bani-la do cardápio. Duas grandes empresas, a Unilever e a Sadia deram uma boa mão nesse sentido: Lançaram recentemente no país tradicionais margarinas em versões “trans free”. São elas: Doriana, Claybom e Qualy.
A trans surgiu da transformação de óleos vegetais líquidos em sólidos, por meio de um processo químico chamado hidrogenação parcial. Como sua origem é vegetal, durante muito tempo ela foi tida como uma opção mais saudável á gordura saturada, que, conforme se descobriu no fim da década de 50, faz mal ao coração. Encontrada sobretudo em carnes vermelhas, ovos e leite, entre outros alimentos, a gordura saturada aumenta os níveis no sangue do mau colesterol, o LDL. Aparentemente benéfica, a trans conquistou a industria de alimentos.”No fim da década de 90, contudo, varias pesquisas cientificas demonstraram que a trans é ainda mais nociva do que a saturada”, diz a nutricionista Ana Maria Lottenberg, do Hospital das Clinicas de São Paulo. A explicação para isso é que, durante a solidificação dos óleos vegetais, as moléculas de gordura passam por um rearranjo estrutural que faz com que elas, ao ser ingeridas, facilitem o deposito de LDL nas paredes das artérias coronárias. Alem disso, a trans reduz as quantidades de uma proteína essencial à produção do bom colesterol, o HDL.
Pouca gente, no entanto, conhece os perigos embutidos na margarina do café-da-manhã, no bolo do lanche da tarde ou nos biscoitos que as crianças levam para a escola. Esse fato fez soar o alarme nas agencias reguladoras de alimento. No Brasil, a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que até 2006 os rótulos dos alimentos industrializados devem informar o consumidor sobre a quantidade de gordura trans contida neles. O mesmo prazo foi dado pela FDA às empresas americanas.
O consumo médio de gordura trans chega a 3% do total calórico diário. Numa dieta de 2.000 calorias, isso equivale a 6.5 gramas – ou quatro biscoitos recheados de chocolate. Pode parecer pouco, mas, em se tratando de gordura trans, é uma quantidade absurda. A Organização Mundial de Saúde preconiza que a ingestão diária de trans não deve ultrapassar 1% das calorias ingeridas diariamente.
Para a industria, a dificuldade é substituir a gordura trans sem alterar as características dos alimentos. Embora os primeiros estudos sobre a sua nocividade tenham cerca de dez anos, só agora os primeiros produtos “trans free” estão chegando ao mercado. Nos Estados Unidos, a Frito-Lay, uma das maiores empresas de salgadinhos de pacote, trocou o óleo de fritura de seus produtos por outro livre de gordura trans.
A Kraft Food, fabricante do Oreo, o biscoito recheado mais vendido no mundo, já lançou no mercado americano uma versão da guloseima com 0% de trans e outras duas com baixos teores da gordura.
O maior desafio é para as cadeias de fast-food. Alem de não terem encontrado ainda um óleo trans free que mantenha o sabor dos lanches, há um problema de ordem econômica a ser vencido. “Uma das grandes vantagens da gordura trans é que ela pode ser reaproveitada varias vezes sem perder suas características iniciais”, diz o químico André Souto, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Esse entrave foi o que fez com que a maior rede de fast-food do mundo fosse condenada pela justiça dos Estados Unidos. Em 2002, o McDonald anunciou que, no ano seguinte, cortaria drasticamente a gordura trans da cozinha de seus restaurantes americanos. Como não cumpriu o prometido, a rede foi processada pela organização não-governamental BanTransFats.com. Um milhão e meio de dólares deverá ser gasto em propaganda que informe os consumidores que o McDonal´d usa gordura trans em seus produtos. Os outros sete milhões de dólares serão doados para a Associação Americana do Coração, que pretende deflagrar uma campanha de alerta sobre os malefícios do aditivo.”Estamos apenas no inicio dessa guerra”, disse a Veja o advogado americano Stephen Joseph, presidente da BanTransFats. com.
Fonte: revista Veja de 23 de fevereiro 2005

Informe a respeito de como aproveitar melhor os alimentos.
Cocção em água - Este tipo de cocção consiste em cozinhar o alimento em grande quantidade de água. Porem:
Água fria: quando a água está fria, as perdas por difusão são significativas. Aproximadamente 35% de carboidratos, vitaminas hidrossolúveis e minerais, transferem-se para a água de cocção. Portanto, utilizar água fria favorece um caldo saboroso, mas não é indicado para cozinhar legumes quando desprezamos sua água de cocção, pois, neste caso, as perdas nutricionais são grandes.
Água fervente: adicionar o alimento à panela quando a água já está fervente permite que as perdas por difusão sejam menores. Assim, quando queremos obter uma carne saborosa, ou vegetais mais nutritivos, devemos colocá-los quando a água já estiver fervendo.
Além disso, as perdas de nutrientes são menores quando o alimento absorve a água de cocção ao invés de perder a água já presente em sua composição; sendo assim, os alimentos desidratados ou com baixo conteúdo de água têm perdas menores do que os alimentos ricos em água.
Cocção com vapor: O calor específico do vapor de água é menor do que a água que gera esse vapor. Por este motivo, este tipo de cocção é um pouco mais lento em comparação à cocção em água. No entanto, os minerais, as vitaminas e os princípios aromáticos dos alimentos são mais bem conservados neste método, pois não há perdas por difusão.
Além disso, cozinhar à vapor não requer a utilização de gorduras, podendo deixar as preparações menos calóricas e mais saudáveis.
Cocção na panela de pressão: A pressão promovida no interior da panela de pressão é maior que a pressão atmosférica, o que aumenta a temperatura de ebulição para mais de 100ºC, reduzindo assim o tempo de cocção. Além disso, também é um método que conserva melhor as vitaminas, uma vez que estas resistem mais às temperaturas elevadas por um tempo de exposição curto do que temperaturas mais baixas, durante um tempo mais longo.
Grelhados: Os grelhados são feitos colocando-se o alimento numa superfície muito quente. As carnes grelhadas não necessitam de gordura para sua cocção. É um procedimento muito rápido e aconselhável para uma "cozinha sem gordura". Para manter o suco da carne ao grelhar, devem-se selar as duas faces: coloca-se uma das faces sobre a superfície que já deve ter a temperatura adequada para grelhar, e antes que o sangue comece a sair do outro lado, vira-se a peça para selar a outra face. Assim agindo, a carne não perde nem seus sucos e muito menos a maciez. Evite também espetar a carne com um garfo, pos se assim fizer os sucos internos se perdem.
Fritura: Consiste em submergir um alimento natural ou empanado em um banho de óleo a 180º C. A superfície do alimento torna-se dourada rapidamente. Este é o procedimento de cocção mais calórico por ser muito rico em gordura, dobrando ou triplicando as calorias dos alimentos. No entanto, a qualidade nutricional dos alimentos fritos não diminui, já que a temperatura dentro do alimento não é tão alta e o tempo de fritura é curto.
Se o óleo está suficientemente quente, a absorção de gordura pelo alimento é menor, excetuando-se os fritos congelados, já que se submergem no banho de fritura a -180º C e baixam consideravelmente a temperatura do óleo.
Para que a fritura seja de boa qualidade, deve-se:
· Escolher um óleo que suporte bem as altas temperaturas.
A este respeito esclarecemos que os fabricantes de óleos, no Brasil, informam que devido ao processo de refinação que adotam todos os óleos de sementes chegam ao “ponto de fumaça” na mesma temperatura, por volta de 200 graus centígrados. Entretanto, não é isso que constatamos em nossas experiências. Sendo assim, deve-se estar atento ao “ponto de fumaça”. Quando o óleo que está sendo utilizado “queima e fuma”, deve ser imediatamente eliminado e a frigideira higienizada.
No Brasil diz-se que o “Óleo de Canola” é uma das gorduras que suporta temperaturas mais altas sem se alterar, entretanto, como vimos, os fabricantes desmentes isso. Por outro lado, existem paises em que este óleo não é apreciado porque provem de uma planta da família dos rábanos que foi modificada geneticamente no Canadá.
· Não deixar nunca que o óleo chegue ao “ponto de fumaça”. Se isso acontecer, deve ser imediatamente eliminado. Ingerir alimentos preparados com óleo queimado, significa agredir o organismo e perder a saúde.
· Sempre aquecer o óleo em fogo de baixo a moderado.
· Não utilizar o mesmo óleo mais de tres vezes, mesmo assim, tem que ser filtrado depois de cada utilização porque, se as partículas e resíduos permanecerem, alem de tornar o óleo rançoso, ao queimá-los em novas frituras, formam substancias tóxicas.
· Secar os alimentos fritos cuidadosamente envolvendo-os em papel absorvente.
· Trocar o papel de fritura até que o alimento fique seco, pois este pode reabsorver o óleo que ficou no papel.
· Para conferir a temperatura do óleo de fritura coloque um pedaço de pão na frigideira com óleo enquanto está sendo aquecido. Se o pão afundar no óleo e não subir mais, a temperatura está por volta dos 150 aC, abaixo do indicado para frituras. Se o pão afundar e subir lentamente para a superfície da panela, a temperatura está entre 160ªC e 165 aC, ou seja, ideal para fritar alimentos delicados como verduras.
· Se o pão sobe rápido à superfície, sua temperatura está entre 170ªC e 180ªC, que é a temperatura indicada para a maioria das frituras.
· Se o pão não chegar a submergir no óleo, a temperatura está elevada demais para frituras, ou seja, superior a 180ªC.

Assados: A cocção no forno favorece a conservação dos nutrientes, porque forma uma "crosta protetora" ao redor do alimento, e mantem em seu interior os minerais. Além disso, ao assar uma carne, por exemplo, é possível desprezar grande parte de sua gordura sem que ela perca o sabor. Para assar uma carne, o ideal é salgá-la quando já estiver dourada, caso contrário, o sal pode secar os sucos da carne tornando-a ressecada. O alimento, ainda, deve ser inserido no forno quente, e depois de mediamente 15 minutos, a temperatura deve ser diminuída um pouco.
Cocção por microondas: Os fornos de microondas emitem ondas eletromagnéticas no interior do alimento, atuando sobre as moléculas de água e agitando-as em grande velocidade. O calor gerado se propaga pelo alimento, rapidamente, por condução.
Os fornos de microondas devem ser utilizados essencialmente para descongelar rapidamente os alimentos congelados e re-aquecer, em segundos, um prato já cozido que foi guardado na geladeira.O forno com prato giratório é o mais recomendado, pois as ondas se distribuem com maior facilidade e aquecem o alimento de maneira mais uniforme. Não se devem usar utensílios metálicos no forno de microondas, já que estes provocam o aparecimento de correntes elétricas nos metais, e se o objeto de metal for muito fino, pode não agüentar a corrente, incandescer e derreter.
Alem disso, os metais podem concentrar muita energia das microondas soltando faíscas. Já as panelas de barro absorvem de forma demasiada as ondas e impedem a cocção dos alimentos.
Cuidado ao aquecer água ou leite no microondas. O líquido pode ficar superaquecido, mais quente do que o ponto de ebulição mas sem ferver - podendo produzir bolsões de água superaquecida que podem ferver subitamente quando sacudidas, resultando numa erupção de borbulhas inesperadas que podem espirrar líquido quente.

VICIOS INIMIGOS OCULTOS

A formula: “nos, os fiéis” contra “eles, os infiéis”, é parecida com a que diz: “faça o que digo e não faça o que faço”, ou à “parábola” do medico que prescreve ao paciente que pare de fumar, mesmo quando ele é um fumante inveterado.
O que é mesmo demência? Ah, sim, a diminuição progressiva das faculdades mentais, alienação mental etc. Alguma relação com aquelas pessoas que em um restaurante lotado, irritadas, devolvem o prato com o alimento pedido porque nele “enxergaram” algo que consideram anti-higiênico, enquanto eles mesmos, fumantes, ingerem quase 5.000 substancias tóxica a cada tragada?

Efeitos do fumo de cigarro: – O fumo do cigarro representa uma das mais importantes causas evitáveis de morte por doenças obstrutivas crônicas, carcinoma pulmonar e acidentes cardiovasculares, alem de ser responsável por numerosas complicações do aparelho gastro-intestinal, do sistema reprodutivo masculino e feminino, e da gestante ao longo da sua gravidez. A fumaça do tabaco é composta por mais de 4.500 substancias, cuja maior parte resulta ser extremamente danosa ao organismo humano. Entre estas o alcatrão, aquele resíduo gorduroso e escuro que é produzido pela combustão do tabaco que, acumulando-se nos pulmões, se torna à causa principal do câncer pulmonar, enquanto substancias como a acroleina, os fenóis e o acido cianídrico, são responsáveis pelas enfermidades pulmonares crônicas. A nicotina, contudo, não fica atrás: alem de ser a verdadeira responsável pela dependência farmacológica do fumo do cigarro, provoca alterações taquicardiacas graves, é vasoconstritora, e é a substancia que causa hipertensão arterial e a degeneração dos vasos sanguíneos.
Alem disso, o chamado “fumo passivo”, também foi sobejamente demonstrado que é muito danoso para as pessoas que são obrigadas a inalá-lo; as crianças a ele expostas, por exemplo, manifestam um incremento das infecções do aparato respiratório, e em certos casos chegam a predispor um aumento da prevalência de asma dos brônquios; os adultos asmáticos, ao contrario, são levados a situações que não só passam a exigir o uso de corticoides, mas internações hospitalares.
Segundo uma das mais recentes estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um terço da população mundial dedica-se ao tabagismo, e este é incriminado por cerca de 2 milhões de mortos anualmente. Existe uma estreita correlação entre os dependentes do cigarro e os expostos á fumaça deste, com o aumento da mortandade, que por sua vez está relacionada à idade em que se começou a fumar, ou inalar indiretamente o fumo, e ao numero de anos que esta pratica foi mantida. Nos últimos anos foi demonstrado que á suspensão do fumo, corresponde uma evidente redução do incremento de mortalidade. Estas observações, agregadas a inúmeros estudos clínicos e experimentais, indicam que o fumo é responsável pelo aumento da mortalidade por vícios voluntários.

No aparato respiratório: - O fumo de cigarro reduz as defesas mecânicas e biológicas do aparato respiratório, expondo assim os fumantes a uma maior freqüência de infecções respiratórias. Ele ainda pode alterar a estrutura, bem como a função pulmonar, porque provoca a hipertrofia, que é o aumento dos volumes das glândulas da mucosa dos brônquios, aliada a uma destruição progressiva do aparato muco-ciliar, aparato este destinado a remover os eventuais agentes estranhos e resíduos celulares que são à base das infecções respiratórias.
Esta condição, do ponto de vista da sintomologia, provoca tosse com emissão de expectorante mucoso - às vezes mucopurulento - por três meses ao ano e por dois anos consecutivos, em outras palavras, uma bronquite crônica causada por infecção bacteriológica pregressa.
Estas alterações clinico-funcionais, determinam em breve tempo uma acelerada redução do volume expiratório máximo no primeiro segundo (VEMS), ou seja, o volume máximo de ar que um individuo pode aspirar través de um ato expiratório forçado, no primeiro segundo após os pulmões terem atingido a plena capacidade de contenção de oxigênio, o que significa que as vias aéreas que controlam o maior volume de ar que penetra no sistema respiratório está em estado precário.
O declínio desta função respiratória depende da quantidade de cigarros fumados, ou, esclarecendo melhor, mais cigarros são fumados, mais evidente é o risco de deflagrar uma bronquite crônica. Essa redução da função respiratória causa, no tempo, uma lenta destruição dos espaços aéreos distais dos bronquíolos - ramificações terminais dos brônquios - enfisemas. Esta enfermidade determina uma progressiva dificuldade respiratória – dispnéia - a qual o paciente na fase inicial não da importância, mas que, depois de um longo período de tempo, ou para definitivamente de fumar, ou se transforma em uma insuficiência respiratória crônica que passa a exigir oxigenoterapia domiciliar.
Fumar, então, provoca o envelhecimento precoce do aparato respiratório, enquanto a eliminação do vicio garante uma gradual regressão dos sintomas respiratórios, mas, sobretudo, a recuperação da função pulmonar. Em verdade, só depois de um mês é que a tosse começa a declinar assim como a dificuldade respiratória, enquanto a respiração sibilante tende a desaparecer totalmente depois de seis anos. Os benefícios, todavia, não se encerram aqui. Passados dez anos do momento em que se parou de fumar, o risco de surgimento de neoplasias nas vias aéreas se reduz à metade.

No aparato cardiovascular: - O fumo de cigarro é responsável pelo aparecimento precoce no aparato cardiovascular da cardiopatia isquêmica, que representa, com a hipertensão e a deslipidemia, um importante fator de risco que o individuo pode eliminar abandonando o vicio. Existe uma estreita correlação “dose-dependente” entre o fumo de cigarro e o surgimento da cardiopatia isquêmica.
Nos machos fumantes o risco de cardiopatia isquêmica é maior de 60%-70% em relação aos não fumantes.A primeira manifestação da cardiopatia isquêmica, nos indivíduos com pré-disposição, pode até ser a morte improvisa, e a probabilidade que esta aconteça, nos fumantes mais jovens, é entre duas a quatro vezes mais elevada em relação aos não fumantes.
As mulheres fumantes também têm um risco maior de desenvolver a cardiopatia isquêmica em relação às não fumantes, e quando estas utilizam ao mesmo tempo contraceptivos orais, particularmente as maiores de 35 anos, o risco aumenta em cerca de dez vezes.
Alem disso, quem continua fumando depois de um enfarte agudo do miocárdio, tem uma probabilidade de morte por cardiopatia isquêmica muito maior em relação aos que param definitivamente de fumar.
O fumo do cigarro, devido à nicotina - um potente alcalóide dotado de propriedade taquicartizante e vasoconstritora - reduz o fluxo coronário, favorece a arteriosclerose coronária e os eventos coronários agudos do tipo isquêmico, trombotico e arrítmico.
Alguns estudos epidemiológicos elaborados em larga escala demonstraram, seja nos homens como nas mulheres, um aumento do risco de eventos cérebros-vasculares nos fumantes em relação aos não fumantes. Entre as mulheres, um importante evento cérebro-vascular como a hemorragia subaracnóidea, se verifica maiormente entre as fumantes em relação às não fumantes, sendo que o risco mais uma vez aumenta acentuadamente quando há associação do fumo com o uso de contraceptivos orais.
O fumo de cigarro agrava ainda a isquemia periférica, a que acontece nos membros inferiores, e pode ainda interferir negativamente no caso da implantação de um by-pass periférico.
O percentual de mortandade devido a aneurisma na aorta de origem arterioesclerotica, é maior nos homens fumantes em relação aos não fumantes.
O fumo de cigarro, ainda, devido à nicotina, como vimos uma substancia taquicartizante e vasoconstritora, representa um importante fator de risco também para o surgimento da hipertensão.
Nos indivíduos hipertensos que fumam, alem disso, o risco de surgimento de graves problemas no aparato gastroenterologico, da hipertensão maligna e de decessos por hipertensão, é muito maior em relação aos hipertensos que não fumam.
O fumo de cigarro induz os indivíduos fumantes, em relação aos não fumantes, a uma maior prevalência de ulcera gástrica e duodenal, pela qual a mortalidade pela complicação mais seria, a hemorragia gástrica, é por redundância muito maior entre os homens fumantes do que nos não fumantes.
O fumo retarda a cura espontânea e farmacológica da ulcera gastroduenal, aumenta a probabilidade de reincidência desta mesma ulcera, inibe a secreção pancreática dos bicarbonatos e reduz o tônus dos sfinteros pilóricos e esofágicos, predispondo assim à “síndrome do refluxo gastresofágico” caracterizado pela sensação de queimação retrosternalpirose – que é a regurgitação acida e eructação.
O fumo, enfim, provoca o surgimento de uma importante enfermidade inflamatória crônica, a doença de Crohn, que envolve a ultima seção do intestino tênue, o íleo, em muitos casos conhecido como “íleo terminal”.

No aparato reprodutivo masculino e feminino: - O fumo de cigarro no aparato reprodutivo masculino, em médio prazo, representa – somado ao stress e ao excessivo consumo de bebidas alcoólicas - um importante fator de risco para a disfunção erétil. Enquanto os efeitos do fumo de cigarros no aparato reprodutivo feminino induzem, no tempo, através dos hidrocarburos aromáticos policíclicos, à morte prematura dos óvulos e das células uvárias prepostas à fecundação, impedindo de vez o regular processo de fecundação.
Pode-se afirmar, com certeza, que as mulheres fumantes são geralmente menos férteis das não fumantes, e alem disso, a menopausa, ou seja, o período em que se verifica a ultima menstruação - indicando o fim do inteiro ciclo reprodutivo da mulher - acontece cerca de cinco anos antes da idade media que se situa por volta dos 48 anos, antecipando, portanto, aqueles sintomas que tanto aborrecem e preocupam, que são as chamadas ondas de calor, sudoração, palpitações, vertigens, depressão, deslipidemia, hipertensão arterial sistólica e osteoporose.

Em relação à gravidez: – O fumo de cigarro pode retardar a concepção e durante a gravidez pode interferir negativamente no desenvolvimento do feto. Durante a gestação, o fumo de cigarro pode provocar a gravidez ectópica, ou seja, extra-uterina, que se traduz em más formações fetais, abortos espontâneos, morte do feto intra-uterina e síndrome de morte improvisa do recém nascido.
Este ultimo aspecto aumenta acentuadamente se a gravidez já era de alto risco por outras causas como a cardiopatia congênita, diabete gestacional, deslipidemias mesmo familiares, e hipertensão sistólica e distólica.
O peso dos recém-nascidos gerados por mães que fumam durante a gravidez é menor, mediamente em 200 gramas, em relação aos que nascem de mães que não fumam durante a gestação. Esta é provavelmente uma conseqüência da reduzida circulação no útero placentar. Fumar durante a gravidez pode interferir negativamente ainda no desenvolvimento psicossomático da criança.

Rins
Coração
Ossos
Pênis
Bexiga
Sist.Reprodutivo
Sist. Circulatório
Ap.Digestivo
Pulmão
Nariz
Laringe
Boca
Cérebro
As enfermidade provocadas pelo fumo de cigarro
Infarte do miocárdio – Angina pectoris – Hipertensão – Arteriosclerose - Acidente vascular cerebral – Tromboangeite obliterante - Bronquite crônicaEnfisema pulmonar – Gripe – Pneumonia por Legionella pneumophila – Pneumonia por Branhamella catarrhalis – Pneumonia a colesterol – Tuberculose - Câncer do pulmão – Câncer de boca – Câncer da faringe – Amidalite - Otite - Sinusite - Morte súbita – Sindactilia - Estrabismo – Lábio leporino - Prenhez tubária – Aborto – Descolamento precoce da placenta – Placenta previa – Diabete – Periodontite - Câncer da laringe - Câncer do esôfago – Câncer do estomago – Câncer do pâncreas – Câncer da bexiga – Câncer dos rins – Leucemia mieloide – Câncer do colo do útero – Câncer da mama – Doença de Crohn (Mycobacteria paratuberculosis) – Ulcera do estomago – Ulcera do duodeno – OsteoartriteOsteoporose – Catarata – Estomatite - Bronquite – Pneumonia – Câncer da pleura – Aneurisma da aorta – aneurisma abdominal – Câncer da próstata - Câncer do intestino – Câncer do retoLinfomas – Menopausa precoce – Derrame suboracnoide na mulher com associação de anovulatorios.

Alcoolismo : - O alcoolismo é a terceira causa de mortes no mundo, atrás somente do câncer e das doenças cardíacas. Contudo, por se tornar um problema familiar, acaba sendo muito mais abrangente. Por isso o alcoolismo é hoje considerado um grave problema de saúde pública.
Em uma de suas entrevista o Dr. Drauzio Varella perguntou ao Dr. Carlos A. Pastore, medico cardiologista do Incor: como você orienta seus pacientes quanto á ingestão de álcool? “Peço sempre moderação”, respondeu o entrevistado, porque mesmo o vinho que em pequenas doses pode trazer algum beneficio para o colesterol e o coração, deve ser ingerido com parcimônia, porque há outros órgãos, como o fígado e os intestinos, que reagem negativamente ao álcool. Alem disso, o álcool é altamente calórico, portanto, desaconselhável para quem não pode engordar.

Bebida
Quantidade
Calorias
Vermute
(30 ml)
44 cal
Sidra
(100 ml)
50 cal
Kir
(150 ml)
50 cal
Vodca
(30 ml)
72 cal
Vinho do Porto
(50 ml)
74 cal
Martini Bianco
(50 ml)
77 cal
Vinho branco seco
(50 ml)
85 cal
Vinho branco doce
(100 ml)
140 cal
Coquetel de frutas com álcool
(200 ml)
155 cal
Cuba-libre
(240 ml)
170 cal
Daiquiri
(100 ml)
200 cal
Rum
(100 ml)
230 cal
Caipirinha de limão
(100 ml)
171 cal
Gim
(30 ml)
60 cal
Cherry
(50 ml)
68 cal
Uísque
(30 ml)
72 cal
Martini Rosé
(50 ml)
78 cal
Cerveja
(200 ml)
84 cal
Vinho tinto seco
(100 ml)
84 cal
Champagne
(85 ml)
85 cal
Licor de cacau
(30 ml)
103 cal
Licor de menta
(30 ml)
103 cal
Licor de cassis
(30 ml)
103 cal
Licor de chocolate
(30 ml)
103 cal
Licor de amêndoas
(30 ml)
108 cal
Chope
(300 ml)
120 cal
Em relação à cerveja existe um estudo elaborado pelo Dr. Lester Hankin em cooperação com a “The Connecticus Agricultural Experiment Station e o Excise Tax Divisios of Revenue Service” que concluiu que em relação a 202 amostras de cervejas, cujo índice médio de calorias situou-se em 32 Kcal por 100 ml. - o leque se estendeu entre 19 a 43 Kcal - as de tipo Ligth tinham mediamente uma redução de 27%.

No Brasil, o alcoolismo é o terceiro motivo para faltas e a causa mais freqüente de acidentes no trabalho. Segundo a Associação dos Estudos do Álcool e Outras Drogas, de 3 a 10% da população brasileira fazem uso abusivo do álcool. A doença é a oitava causa de concessões de auxílio-doença e os problemas direta ou indiretamente relacionados ao uso da substancia consomem de 0,5% a 4,2% do PIB.
Diversos fatores podem contribuir para a tendência ao abuso crônico do álcool e de outras drogas, e estes fatores: genéticos, biológicos, psicológicos e socioculturais, interagindo, em maior ou em menor grau, se responsabilizam pela origem da dependência química.
Os sintomas que compõem o alcoolismo se agravam e se intensificam ao longo da vida do doente. O alcoólatra inicia sua carreira como bebedor social na idade jovem, hoje por volta dos 15/16 anos, e perto dos 30 anos evolui para a condição de bebedor pesado ou bebedor problema, quando apresenta conseqüências físicas ligadas ao álcool - pancreatites e cirroses hepáticas. É também nessa fase que surgem problemas conjugais, sociais, legais, financeiros e de relacionamento. Usuários de álcool nesta fase também são mais propensos a acidentes de trânsito, problemas psicológicos, violência, homicídios, suicídios, e ocupacionais: afastamento, faltas ao trabalho, atrasos, problemas de relacionamento, indisciplina, queda de produtividade, acidentes de trabalho.
Na segunda metade da terceira década de vida, ou a partir da quarta década, tem-se instalada a síndrome de dependência alcoólica.
O alcoolismo é mais comumente encontrado em algumas ocupações, sobretudo naquelas socialmente desprestigiadas, quando as possibilidades de ascensão profissional são restritas. Fatores de risco profissional em relação ao alcoolismo são a disponibilidade do álcool enquanto se trabalha, pressão social para beber, ausência de supervisão ou chefia e situações de tensão ou perigo. Condições de trabalho que produzem estresse podem induzir ao alcoolismo como forma de aliviar a ansiedade. Profissões de alto risco de abuso de álcool são essencialmente associadas ao sexo masculino, e as de baixo risco ao sexo feminino, segundo pesquisa da universidade americana John Hopkins que analisou associações entre álcool e 101 ocupações. Mas o maior fator de risco para o alcoolismo é o desemprego.
Aparentemente, algumas características identificam trabalhadores com problemas de alcoolismo: faltas freqüentes, especialmente em dias que antecedem ou sucedem fins de semana e feriados, atrasos após o almoço ou intervalo, queda na produtividade, desperdício de materiais, dificuldade de entender novas instruções ou de reconhecer erros, reação exagerada às críticas, variação constante do estado emocional.
Fonte: Livro “Alcoolismo no Trabalho” de Magda Vaissman, publicado pela Editora Fiocruz

O tema do alcoolismo foi incorporado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) à Classificação Internacional das Doenças em 1967 (CID-8), a partir da 8ª Conferência Mundial de Saúde. No entanto, essa questão não pode ser vista apenas como um fato cronológico. A questão do impacto sobre a saúde provocado pelo abuso do álcool já vinha sendo objeto de discussão pela OMS desde o início dos anos 50, compondo um processo longo de maturação - que até hoje ainda é objeto de contendas médico-científicas. Consta que em 1953 a OMS, através do seu Expert Comittee on Alcohol, já havia decidido que o álcool deveria ser incluído numa categoria própria, intermediária entre as drogas provocadoras de dependência e aquelas apenas formadoras de hábito - OMS Technical Repport 84,10 1954 - no entanto, os efeitos do álcool têm inúmeras faces, e entre estes as drogas.

Não há dúvida de que a porta de entrada da dependência é o álcool, garante o chefe do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, professor Arthur Guerra de Andrade. Como a bebida é socialmente aceita, as doses a mais raramente são consideradas um problema, mas apenas um deslize passageiro. Esse desprezo é incorreto e perigoso, garantem especialistas. Principalmente quando o exagero ocorre na adolescência.
Pesquisa da professora Sandra Schivoletto, em São Paulo, demonstra que o álcool “é a primeira droga usada por adolescentes”. Pelo levantamento, o primeiro contato com a bebida ocorre, em média, aos 11 anos, o do cigarro aos 12, a maconha mediamente aos 13 anos e o da cocaína aos 14 anos.
Além de o contato com a bebida ser mais precoce, a relação que o adolescente estabelece com ela também causa preocupação. Grande número de jovens vincula o consumo de bebidas ao lazer. “Associar o álcool ao amadurecimento e ao prazer são atitudes que acabam levando ao abuso”, afirma Sandra.
Outro aspecto fundamental é a facilidade de acesso à bebida. Embora a sua venda seja proibida para menores de 18 anos, em todos os pontos do País existem locais onde jovens compram e ingerem álcool livremente. “A cultura de que os encontros têm de ser regados com bebidas alcoólicas aumentou de forma considerável nos últimos anos e os jovens, para se sentirem integrados, acabam adotando esse mesmo habito” diz Andrade.
Os especialistas advertem que os perigos são muitos, principalmente quando se leva em conta também o metabolismo de pessoas mais jovens. “Os efeitos são potencializados”, garante Sandra. Para os médicos, nem todas as pessoas que durante um certo período abusaram da bebida sofrerão problemas ao longo da vida. Mas o risco é alto.

“Os estudos revelam que, por ser a adolescência uma fase de experimentação, fica mais fácil o contato com outras drogas”, garante Sandra. Andrade concorda: “Pessoas que desenvolvem dependência apresentam algumas características comuns, que vão de fatores biológicos a problemas emocionais”.E conclui: “È por essa razão que os cuidados com o álcool têm de ser redobrados na adolescência”.

Na Itália, uma pesquisa realizada pela ASAPS trouxe à luz outra conseqüência do álcool: os incidentes que acontecem nas noites de fim de semana, ou seja, entre as 24:00 horas do sábado até as 7:00 do domingo de manhã e no mesmo horário do domingo até a segunda feira. Este levantamento levou em conta os dados oficiais disponíveis relativos a 2003.
Na faixa de sete horas entre sábado a noite e o domingo de manhã, só nas estradas extra-urbanas contaram-se 4.285 acidentes sobre um total de 9.042 da semana inteira, ou seja, 47,38%. Nestas duas noites somaram-se 457 mortes que equivale a 50,77% do total de 900, sendo 221 na noite de sábado, correspondendo a 24,55%, e 236 na noite de domingo, ou seja, 26,22%.
Os feridos, nestas mesmas noites e nos mesmos locais, foram 7.768, que correspondem a 52,26% do total de 14.863. Em relação aos feridos a situação é similar porque em uma só noite entre o sábado e o domingo se contabiliza uma terceira parte dos feridos de todas as noites da semana. O que salta aos olhos é que a grande maioria dos acidentes é provocada por jovens abaixo dos 30 anos.
Se for considerado que nestas noites há um escasso transito de veículos comerciais e industriais, torna-se ainda mais evidente a taxa de risco que tem origem no álcool e no cansaço.
Nesse país, segundo as estatísticas do ISS, são cerca de 900.000 os jovens com menos de 16 anos que habitualmente bebem cerveja, vinho ou outras bebidas alcoólicas. Calculam as autoridades italianas que os superjovens, os consumidores de álcool os que tem entre 14 a 16 anos, devam ter aumentado de 781.000 em 1998 para 870.000 em 2001. Entre estes últimos, entretanto, quem mais consome são as moças, que passaram de 35,75% em 1998 para 41,6% em 2001.
No mesmo período entre os rapazes, os consumidores aumentaram de 46,2% para 51,6%, e a idade em que os jovens começam a consumir bebidas alcoólicas na Itália é a mais baixa da Europa: apenas 12 anos. Uma idade na qual o organismo é particularmente frágil diante dos danos que o álcool pode causar, e que, como confirmaram estudos recentes, poderão causar sérios transtornos de saúde na idade madura.

No Brasil, uma pesquisa inédita realizada no Estado de São Paulo, revelou um quadro que pode ser a conseqüência dó que acabou de ser dito. Entre os homens de 35 a 59 anos, as doenças do fígado foram à segunda causa de morte no triênio 2000-2002. Só perderam para enfermidades isquêmicas do coração - especialmente os infartos do miocárdio. E entre estas o álcool foi responsável por pouco mais da metade delas. De 1996 a 2002, as mortes por álcool sofreram um acréscimo de 14,8%, contra uma queda de 21,4% nas outras mortes causadas por enfermidades diferentes deste órgão.
Na região de Ribeirão Preto, no período estudado, morreram, por doenças do fígado causadas pelo álcool, 44,3 indivíduos em cada grupo de 100 mil homens de 35 a 59 anos, enquanto no extremo oposto está São José do Rio Preto, com 15,4 mortes em relação ao mesmo grupo. A diferença pode estar no descuido médico ao preencher o atestado de óbito, mas, sobretudo, no número de alambiques e no baixo preço da cachaça na região de Ribeirão.
A pesquisa foi realizada pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), que recebe os atestados de óbito via cartórios. A mortalidade pelo álcool chamou a atenção dos pesquisadores. "Estávamos acostumados a falar em mortes violentas por câncer em crianças e velhos, mas não por doenças do fígado e na população que costuma ser responsável pela manutenção da casa", diz Cecília Polidoro Mameri, analista da Fundação Seade.

Outro ingrediente do aumento contínuo pode estar na crise econômica que leva ao desemprego, à depressão, e depois aos bares como único local de lazer. O beber contínuo e pesado leva a uma perda de apetite, o que resulta em alimentação precária por deficiência de nutrientes. “Alguns vão morrer por outras decorrências do alcoolismo”, lembra Rute Godinho, analista da Seade.
Neste estudo, o terceiro lugar nas causas de morte na faixa dos 35 aos 59 anos é o homicídio, seguido de doenças cerebrovasculares e acidentes de transito – e o álcool pode estar por trás de boa parte deles, lembram os pesquisadores.
“Quem bebe freqüentemente, e pesado, não chama a atenção”, diz o Dr. Sergio Mies epatologista do Hospital das Clinicas paulistano e chefe da equipe de transplante do Albert Einstein. O maior responsável pelos acidentes de transito e agressões é quem bebe ocasionalmente grandes quantidades. Segundo Mies, o beber crônico consiste em 60 gramas diárias de álcool para as mulheres e 80 gramas para o homem. Equivale a três doses de destilado – pequenas - ou três latinhas de cerveja para as mulheres, e quatro doses de destilado ou quatro latinhas para os homens.
Pelos dados do levantamento, as regiões com maior número de mortes por doenças do fígado causadas por álcool depois de Ribeirão Preto são Marília - 29,7 mortes por 100 mil homens adultos- e Bauru - 29,2. Somando-se as mortes por todas as doenças do fígado, a região de Bauru fica em primeiro (78,8), com Araçatuba no outro extremo (41,9). As taxas da Grande São Paulo e do Estado ficam em torno de 63 por 100 mil.
O levantamento feito pela Fundação Seade também lista as principais causas de morte entre homens de todas as idades. As doenças isquêmicas do coração continuam em primeiro lugar, em segundo vêm os homicídios e em terceiro lugar os males cerebrovasculares. As doenças do fígado aparecem em sétimo lugar no ranking.
Entre as mulheres de todas as idades o coração também lidera, enquanto o diabetes aparece em quinto lugar tanto entre as mulheres de 35 a 50 anos, como entre toda a população feminina do Estado.
Quando as doenças do fígado atingem estados avançados a única solução é o transplante. Segundo Sérgio Mies, que coordena o programa de transplante de fígado do hospital Albert Einstein, o tempo médio de espera é hoje de três anos, assim, 55% morrem antes de chegar a sua vez de recebê-lo.
"As doações de órgão vêm aumentando, mas as filas e as mortes estão crescendo muito mais rapidamente”, diz o medico.
Sabe-se, com a pesquisa da Seade, que o álcool é responsável por pouco mais da metade de todas as mortes por doença do fígado entre homens de 35 a 59 anos. Para as mulheres dessa faixa etária, as doenças do fígado ocupam o oitavo lugar entre as causas de morte.
O consumo diário e pesado de álcool ao longo de oito a dez anos causa cirrose hepática. As células normais viram cicatrizes e a doença torna-se irreversível.
O álcool também pode causar inflamações no fígado - hepatite alcoólica - e o acúmulo de gordura no órgão. Mas também a hepatite B - que tem vacina - e a hepatite C - que não tem imunizante - podem causar as mesmas doenças.
Os médicos ainda alertam que a cirrose hepática pode levar a um câncer. "Muitos morrem antes da chegada do câncer", diz. A cirrose pode aumentar a pressão nas veias do intestino ou gerar varizes no estomago capazes de levar à morte por sangramento.

MAIS ESTOICISMO MENOS PROZAC

Mas, de que maneira o estoicismo pode substituir um antidepressivo? Bem, o aspecto mais importante do estoicismo é que a razão, dentro da sua lógica, pode facilitar o modo de viver de qualquer pessoa. Vamos ver, agora, como os dicionários explicam o que é a razão:
Raciocínio, faculdade pela qual o homem pode compreender, conhecer e julgar. Faculdade intelectual, considerada como norma de nossas ações. Bom senso, sabedoria. Direito, dever e equidade.
O máximo expoente deste processo é o pensamento que emana do intelecto, da razão ou da consciência, que independentemente do nome que lhe é dado, é a faculdade que distingue o ser humano de hoje, do animal que foi em seus primórdios.
Já o filosofo grego Aristóteles - 384-322 a.C. - fundador da lógica formal, dizia:
Através da razão podemos adquirir conhecimentos aplicando os silogismos, em outras palavras, aqueles raciocínios entrelaçados que partindo de duas ou mais premissas nos levam a uma única conclusão.
Está claro, agora, que se o homem não estiver demente, em outras palavras, se estiver de plena posse de suas faculdades intelectuais e mentais, possue o bom senso e a sabedoria apropriada para conhecer, analisar, julgar e compreender todos os fatos, independentemente de lhe serem favoráveis ou não, que permeiam sua vida, distinguindo entre eles os que resultam de suas atitudes - portanto de sua inteira e exclusiva responsabilidade, dos que são provocados por fenômenos ou fatores que estão fora da sua capacidade de controle. Estes, o homem deve saber prever e na medida do possível administrar, classificando-os a débito ou a credito no balancete de seus interesses pessoais, como faz com a receita e a despesas do mês, porque se assim não fizer, será por eles esmagado.
Alguns exemplos:
1)-Atendemos um jovem casal que ha um ano, mesmo continuando sob o mesmo teto, não se falava e muito menos partilhava a mesma cama. Haviam chegado sim a uma espécie de entendimento tácito, mas este dizia respeito à separação. O marido, por ter sido demitido e não ter conseguido outro emprego em onze meses, passara a beber, não só por estar desempregado, mas por não mais suportar ser sustentada pela esposa, uma professora que para fazer frente à situação, assumira em diferentes escolas uma carga horária que exigia, entre deslocamentos e aulas, que levantasse as cinco da manhã para só retornar ao lar 14 horas depois. Mesmo assim, se ao chegar em casa ousasse perguntar ao marido como havia sido seu dia, ou se tinha encontrado alguma oportunidade de trabalho, ele, interpretando as perguntas como cobrança, tornava-se violento.
Como os dois, com a terapia que lhe foi aplicada foram despido dos fluidos mentais desequilibrados que geravam com seus pensamentos - o verdadeiro motivo dos constantes conflitos – logo chegaram a conclusão que, como continuavam gostando um do outro, deviam dar a si mesmos uma segunda chance. Reencontrando a harmonia e a serenidade, os ingredientes que ajudaram o marido a parar de beber, e sem a bebida, a encontrar em pouco tempo um novo emprego, tudo voltou ao normal.
Perder o emprego, em qualquer parte do mundo, assim como no Brasil de trinta anos atrás, sempre foi um evento de certa forma corriqueiro, mesmo porque o trabalhador sempre teve a seu favor o direito de se demitir se o desejasse. O fato novo é que o desemprego, ou o medo dele, se transformou em um trauma nacional, um trauma ainda maior daquele que é causado pela violência que se estende praticamente em todas as grandes cidades do território nacional. No caso, contudo, era um problema ainda administrável, porque o marido só tinha 27 anos. Por não ser administrado como devia, o evento causou desequilíbrio, desequilíbrio esse que acabou abalando o bom relacionamento que até então existia entre marido e mulher. Com isso, ao invés de se “fortalecerem um no outro até passar a tempestade”, passaram a se agredir até que, sem se darem conta, chegaram à porta da separação. Uma versão semelhante da historia do banhista exímio nadador que morreu afogado não muito distante da praia: “diante de um fato inesperado” perdeu a calma. Assustado, perdeu o controle e se afogou.
2)-Atendemos um casal, cujo marido, com aproximadamente 65 anos e acima do peso, queixava-se de mal-estar e dores abdominais. A esposa, com idêntico sobrepeso, sofria de pressão arterial. Ao indagarmos se estavam sob tratamento medico responderam afirmativamente citando, alem disso, o nome dos remédios que estavam tomando. Os dois, mais acentuadamente o marido, tinhas disfunções orgânicas, disfunções estas que eram causadas pelo excesso de lipídios contidos nos alimentos. Depois de reequilibrar seus fluxos orgânicos, passamos a discutir a profilaxia necessária para que não houvesse recaída, porque o casal, assim como seus dois filhos adultos, tinham respectivamente por volta de 15 quilos de sobrepeso.
Esclarecidos a respeito da dieta que deveriam adotar, responderam que em verdade não ingeriam gorduras, porque há muitos anos haviam aprendido que excesso desta era prejudicial. A esposa disse mais, afirmou que a sua dieta era composta por muitas verduras, vegetais e que quase não comiam carne.
Como estas respostas baseiam-se sempre em padrões alimentares que obedecem à cultura nutricional da família (herança de mãe para filha), dificilmente são confiáveis, deste modo, reformulamos a pergunta: que tipo de óleo e outras gorduras a senhora utiliza na cozinha e quantas destas unidades são consumidas mensalmente? A resposta foi: cinco latas de óleo de soja, três margarinas de 500 gramas, uma maionese grande e aproximadamente 500 gramas de toucinho.
Quando dissemos que tendo em vista que os filhos não almoçavam em casa o consumo era excessivo, este deveria se limitar no máximo a uma, uma e meia garrafas de óleo e outra de azeite, preferencialmente extravirgem. E que um quilo de margarina era mais do que suficiente, dispensando a maionese e o toucinho, os dois se sentiram ofendidos e não voltaram mais. Contudo, como haviam sido indicados por um casal que vez ou outra nos procura, soubemos que aproximadamente oito meses depois o marido foi safenado, e que faleceu alguns meses depois devido a uma cirurgia para a desobstrução da aorta (a artéria principal que nasce na base do ventrículo esquerdo do coração e que é o tronco comum das artérias que levam o sangue oxigenado a todas as partes dói corpo). Na oportunidade os médicos constataram que a maioria das suas artérias estava prejudicada devido a placas de gordura. Hoje a esposa é hipertensa, obesa e diabética, males estes que também atingem seus filhos, e chora desesperadamente - a voz do remorso - porque não cuidou melhor do marido.
Infelizmente, o numero de donas de casa que tem uma cultura alimentar semelhante é incalculável, e são poucas as que demonstram parcimônia em relação ao uso de gorduras. Alias, basta permanecer na fila do açougue por algum tempo para constatar que a maioria pede para deixar a gordura na carne que estão adquirindo.
Durante o colóquio que mantivemos com este casal, como é nosso costume, solicitamos que nos fosse indicado a quantidade de óleo que era utilizado para preparar um copo de arroz, uma polenta com ½ quilo de fubá e quantas vezes por semanas utilizavam alimento frito. A resposta, repleta de orgulho como a que seria dada por um renomado chefe de cozinha, deixou claro o porque das enfermidades que grassavam no seio daquela família: ½ copo de óleo para o arroz, a mesma quantidade para a polenta, e praticamente todos os dias havia frituras: bife, filé de frango, batata frita, ovos frito, hambúrgueres, omelete etc. Nesse caso a razão, o principio inteligente, aquele que diferencia o homem do animal não foi utilizado, porque se assim fosse, há muito tempo teriam percebido o erro.
Por agirem irracionalmente, movidos exclusivamente por vícios alimentares, o marido foi levado ao tumulo muito antes da hora e, pelo andar da carruagem, se não houve mudanças drásticas, os demais familiares, se já não foram, estão chegando perto.

Quando se fala na evolução das espécies, não se deve entender que foi um meio pelo qual a natureza aprimorou, ao longo do tempo, os grupos - animais ou vegetais - que hoje vicejam ao redor do mundo, porque esta continua e continuará indefinitivamente a implementar aperfeiçoamentos em todas as formas de vida, ou a alterar no seu todo ou em parte, até que as construções celulares o permitam, todos os demais seres. Desta forma, no reino em que vivemos – hoje parcialmente envenenado porque o homem, para atingir seus discutíveis objetivos, não se importa dos meios que utiliza – sobreviver (mesmo com a medicina e seus fármacos), é uma tarefa muito mais difícil do que foi no passado, assim sendo, sobrevivem tão somente os seres, entre eles os homens - que melhor se adaptam ao ambiente em que vivem.
Como Charles Darwin afirmou – ratificado por aqueles que lhe seguem os passos - os seres vivos não surgiram prontos, na forma em que os conhecemos, sempre se modificaram, e em muitos casos se extinguiram. Ele, raciocinando inspirado pelas suas pesquisas, disse: Os animais – incluindo o homem - que descendem todos de um ser primordial - vivem numa luta continua pela sobrevivência e pela reprodução. Aqueles cujas características lhe permitem adaptar-se mais facilmente ao ambiente em que vivem, tem maiores chances de vencer a luta, fugindo dos “predadores”, encontrando o alimento adequado com maior facilidade e sobrepujando os rivais na arena de todas as disputas.
Estes vencedores, em verdade, através do permanente esforço para a superação dos desafios que lhe cerceiam a existência, transformam a si mesmos - física, mental e geneticamente - e assim sendo, transmitem aos seus descendentes seus aprimoramentos, que por sua vez os passam para as gerações seguintes. Todas as vezes que essas características são transmitidas, ocorrem pequenas mudanças, e a acumulação dessas alterações, no tempo, por um lado podem produzir novas espécies, e do outro, a sua aniquilação.
O homem, ainda hoje, persiste lutando pela sua sobrevivência, não que seja imprescindível, porque de uma forma ou de outra ele está inserido na sociedade, mas porque não aceita mais - por ter viciado seu próprio ego - viver sem manter ou ampliar o conforto que se acostumou a ter. É esse perpetuo e insano duelo, como se o mundo em que vive continuasse a ser a savana de outrora, que trás em si mesmo perigos que, por não saber avaliá-los, o surpreendem com situações para as quais não está preparado. Mesmo assim, continua dedicando a maior parte do seu tempo à vida profissional, esforçando-se na perseguição de “taxas de retorno” cada vez mais altas, reduzindo, na contra partida obrigatória, o tempo que dedica à família, ao lazer e, na mesma linha de responsabilidade, à alimentação.
No pretérito, no que diz respeito a estes quesitos, o homem destinava a maior parte do seu tempo à busca de alimento: se nutria-se de tubérculos, frutas, e só mais tarde implementou sua dieta com carne, porque à caça, para se tornar eficiente e desnudada dos riscos que lhe eram inerentes, exigiu o desenvolvimento de armas e estratégias cada vez mais aperfeiçoadas. Saciada a fome, a pele dos animais transformou-se em roupas e abrigos contra o frio. A gruta substituiu o asilo primário e no tempo, aperfeiçoando a habitabilidade, teve a entrada protegida por amontoados de pedras para resguardá-la do frio e dos predadores. Depois que o fogo foi dominado e controlado, a fogueira serviu para aquecer, iluminar, cozinhar e para afastar os perigos que eram representados pelos animais predadores.
Depois, com os minerais surgiu o sal, os metais, e com estes últimos às armas para caçar e guerrear. A gruta foi substituída pela casa de juncos, de madeira e terra, de tijolo, de cimento, concreto e com este, apartamentos nos arranha-céus.
Foi inventada a roda, a tração animal, o carro, a fabricação em serie... Bem, já passamos pela revolução industrial, pelo Paradigma Newtoniano-Cartesiano, o avião, o foguete a nave interplanetária, a lua e as estrelas. Neste percurso, só os mais fortes sobreviveram. Não os robustos de estrutura óssea ou massa muscular, mas os que, utilizando a razão, se acautelaram diante da precipitação, desviaram-se dos costumes temerários, fugiram dos riscos que ameaçam sua sobrevivência e, diante das opções que se materializaram, nem sempre escolheram as que melhor remuneravam, salvaguardado, desta forma, a própria integridade moral e física.
Mas entre os “fracos”, sinônimos de irracionalidade, quando tomavam conhecimento que fulano ou sicrano havia morrido de enfarte, derrame, ou por outra moléstia qualquer, coitado, diziam, ele não merecia isso. No entanto, como há sempre uma causa, foi essa que, por não ter sido evitada, provocou os efeitos que causaram a morte. Poucos se dão conta, que independentemente do órgão que a provocou: coração, pulmões, fígado, cérebro, pâncreas, rins etc.etc., a verdade é que a maioria dos que morrem sem ter ultrapassado a fronteira da ancianidade, prosseguem sendo vitimas da perene e inexorável seleção da natureza, porque, eliminando as imperfeições – as vitimas do stress são uma de suas formas – esta continua tão somente exercendo a tarefa de garantir a evolução das espécies.
As vitimas do stress, do álcool, do fumo, como as do transito ou da maioria dos demais acidentes, se não estiverem enfermas mentalmente, são pessoas que, mantendo a mente focada em “outros interesses”, agem automaticamente, ou seja, por impulsos irrefletidos, logo, não submisso ao crivo da razão. Equivalem ao desempenho de um sensor que, programado para uma determinada tarefa - por ser burro - a executa mesmo quando desnecessário. Por exemplo, quando destinado a fechar a capota de um conversível para evitar que a chuva molhe seu interior depois que por esta é molhado, procede se forma idêntica mesmo em um dia de intenso sol se sobre o sensor caírem algumas gotas do refrigerante que está sendo saboreado.
Estas necessidades imperiosas, melhor dizendo, impulsivas, levam certos indivíduos - hoje provavelmente a grande maioria – á pratica de atos que, por serem irrefletidos, são inconscientes, e por serem levianos, irresponsáveis. Em outras palavras, as pessoas se deixam levar por modismos, sejam eles vícios, esportes radicais, ou qualquer outro risco porque se tornaram incapacitadas a assumir compromissos, morais materiais que sejam, mesmo quando estes em contra partida habilitam enfermidades, são prejudiciais á saúde, ou até podem ser um atalho para a morte.
A razão, em outras palavras, a inteligência, o bom senso e o poder de discernimento que lhe é intrínseco, neste automatismo inconsciente que hoje move a humanidade, está merecendo nos tempos que correm a mesma atenção que é dada à TV sem controle remoto, ou o veiculo não está equipado com o trio elétrico, ar condicionado, direção hidráulica, cambio automático, vidros e trava elétrica, ou seja, nenhuma. O modernismo tornou o individuo tão preguiçosos intelectualmente que acabou por abrir mão do raciocínio.
Exemplos:
· João está irritado porque está atrasado para um compromisso, e para diminuir o prejuízo, dirige seu veiculo o mais rapidamente possível, mesmo se para fazer isso tem que desrespeitar leis de transito. Na sua frente está Alfredo que, por não conhecer aquela área, ao termino de cada quarteirão diminui a marcha do seu veiculo para tentar se situar. João, irritado, exasperando-se com as atitudes de Alfredo, começa a buzinar feito louco e xingar.
Ao perceber isso, Alfredo, também pavio curto, para o carro e desce para tirar satisfações.....Bem, o que será que imaginou João a respeito das atitudes do Alfredo? Tudo, menos à verdade.
· Mariana, gerente de marketing de uma divisão de uma multinacional, como a grande maioria assustada com a possibilidade de perder o emprego, tem a seu desfavor o resultado não tão favorável da ultima campanha promocional. Preocupada com este fato, avalia que seu diretor já não se relaciona com ela tão afavelmente como antes. Entretanto, tem com ele agendada uma reunião para o desenvolvimento de uma nova campanha. Na hora aprazada se apresenta para a reunião, mas o diretor, por estar atendendo o gerente de outra divisão, lhe pede para deixar a reunião para o dia seguinte. Ao deixar à sala ouve seu diretor dizer ao colega em voz baixa: você se sentiria confortável eu lhe entregasse a responsabilidade de toda a operação? Mariana retorna à sua sala pensativa e com os olhos marejados de lagrimas. Aflita, pega seu carro para ir almoçar, mas, enraivecida e mentalmente desequilibrada, ao dirigir sem cuidado abalroa outro veiculo.
Machucada, e ainda mais desesperada, é levada ao hospital. No dia seguinte seu diretor e alguns colegas vão visitá-la, e ao se despedir este lhe diz: Mariana, recupere-se rápido porque estamos atrasados em relação aos tempos para o planejamento da campanha de Natal! Bem, aquilo que Mariana pensava quando saiu para almoçar não é difícil de imaginar, contudo, estava completamente errada.
· Valeria, 27 anos e casada, a conhecemos durante o trabalho que realizamos todos os sábados à tarde em alguns bairros de São Paulo, e por “senti-la” grávida de uma menina, lhe dissemos isso. Sorrindo, afirmou que era impossível, porque sua ultima menstruação havia acontecido algumas semanas antes. Devido a nossa insistência se predispôs a fazer o exame correspondente trinta dias depois. Realizado, este confirmou sua gravidez. Quatro meses depois, no entanto, um sangramento inesperado a levou a procurar a ginecologista. Esta, depois dos exames rotineiros, a informou que havia abortado.
Valeria, desesperada, sem saber o que fazer, mas intimamente não aceitando o diagnostico, nos telefonou. Segundos depois tivemos a satisfação de lhe confirmar que, apesar do diagnostico, continuava grávida, que a menina estava bem mas que ela, a mãe, devia permanecer alguns dias em repouso. Percebendo que ela necessitava de outra confirmação, a aconselhamos procurar outra ginecologista. Dava para perceber, mesmo a distancia, que seu coração batia descompassadamente e que a pressão arterial estava acima do normal.
Quando voltou a nos telefonar alguns dias depois, sua alegria dispensava palavras. Mesmo assim, nos disse entre lagrimas de satisfação que a nova ginecologista que havia consultado ratificara quanto lhe havíamos dito. A menina nasceu, é normal, tem ótima saúde e de vez em quando a vemos para lhe dispensar os cuidados que a mãe julga necessários.
O que será que ela imaginou entre o diagnostico do aborto, a confirmação da gravidez feita por nos, e a ratificação da nossa afirmação pela outra ginecologista? Que cada um tire suas conclusões, entretanto, a sua condição de gravidez em nenhum momento foi alterada!
Nos três casos, e nas centenas de outros similares que diariamente disseminam o “gene” do stress, isso aconteceu porque não foi aplicado, filosoficamente falando, aquele velho ditado que diz: “vamos continuar o caminho, apesar da tempestade, sem nos preocupar, nesse momento, se a velha ponte que está la adiante continua transitável. Nos inquietaremos com ela, se for o caso, ao chegarmos lá.”
Retornando aos motivos pelos quais não queremos mais a TV sem controle remoto, e o carro sem os acessórios mencionados - mesmo se estes equipamentos nos satisfizeram plenamente no tempo em que estas tecnologias inexistiam - eles estão arraigados no vicio ao qual fomos arrastados pelo modernismo. De repente, tornou-se estressante ter que levantar do sofá para mudar de canal, girar a maçaneta para abrir ou fechar o vidro, dirigir suando, cansar os braços com a direção mecânica ou ter que travar a porta do carro manualmente, assim como ficou “fora de moda” ter que utilizar as faculdades mentais para, através do raciocínio, entender que não nos devemos preocupar - acima dos limites racionais, claro - com as pressões que são impingidas pelo meio ambiente em que vivemos, ou pelas atitudes daqueles que como nos o compartilham.
Será que um controle remoto para “ligar” a nossa razão ajudaria? Difícil dizer. Contudo, enquanto esta tecnologia não for disponibilizada, vamos analisar os efeitos perniciosos a que estamos sujeitos se não acionarmos a inteligência que possuímos para combatermos o stress.




Estágios
Alerta
Ao perceber um perigo real ou imaginário, o organismo se prepara para o confronto. Isso é feito com descargas extras de hormônios na corrente sangüínea.O principal deles é a adrenalina.
Crônico
Se o stress é permanente, o sistema imunológico entra em colapso, abrindo espaço para doenças oportunistas. Aumenta o risco de males cardíacos e danos as estruturas cerebrais.










Cérebro
Recebe doses mais altas de sub-stancias químicas excitatórias: seroto-nina, dopamina e noradrenalina. O pensamento e os reflexos são agu-çados e as pupilas se dilatam para melhorar a visão.
O excesso de cortisol destrói neu-rônios e prejudica o raciocínio. Também ocorrem lapsos de memória, surtos de raiva, alem da depressão e fadiga.









Cabelos
Ficam arrepiados. Isso faz os animais parecerem maiores e mais amea-çadores como quando vão brigar.


Coração
Os batimentos ficam até cinco vezes mais rápidos que o normal e a pressão arterial sobe.
Pode haver queda acentuada dos cabelos e escamação no couro cabeludo devido à falta de irrigação sanguínea.
Estimulado a trabalhar mais rápido corre o risco de enfartar.




















Respira-ção
Fica mais rápida para levar oxigênio extra ao sangue.
A respiração acelerada acaba por reduzir a entrada de ar. Pode agravar as crises de asma ou outras doenças respiratórias.









Fígado
Converte as reserva de açúcar em glicose, fornecendo energia extra ao organismo.
As doses extras de glicose no organismo aumentam o risco de diabete e obesidade.








Órgãos
sexuais
Os testículos e os órgãos genitais femininos se contraem com a redução da irrigação sanguínea.
Os níveis de testosterona caem tanto em homens como em mulheres, reduzindo a libido. Nas mulheres, a queda no nível de progesterona provoca cólica menstrual.








Glându-las supra-renais
Liberam cortisol, hormônio que ajuda a manter a força muscular, e adrenalina, que eleva os batimentos cardíacos e a pressão arterial.
O excesso de cortisol e adrenalina causa mau humor, ansiedade e irritabilidade.









Estoma-go e intestino
A digestão é interrompida, permitindo que o corpo dedique toda a energia aos músculos. A sensação de fome desaparece.
A mucosa do intestino fica vulnerável ao aparecimento de ulceras. O excesso de suco gástrico pode provocar gastrite.









Múscu-los
Recebem sangue e oxigênio acima do normal e se contraem para melhorar a performance durante a ação.
A tensão constante causa dores, principalmente no pescoço, costas e ombros e cansaço exagerado.














Pele
Como o sangue vai para outras partes do corpo, fica sem irrigação sanguínea e empalidece.
A falta de irrigação provoca irritação na pele, escamação e envelhecimento precoce.









Sistema imuno-lógico

Sistema circula-torio



Os linfócitos, células responsáveis pela defesa do organismo passam a produzir menos anticorpos.
Alguns vasos se contraem para reduzir a irrigação de órgãos não-vitais, como a pele e outras extremidades. É por isso que mãos e pés ficam frios.
Gripes, resfriados e outras doenças infecciosas se tornam freqüentes.
Os batimentos cardíacos acelerados e a pressão arterial elevada diminuem a elasticidade dos vasos sanguíneos, o que pode levar a doenças cardio-vasculares.








Fonte: revista Veja de 11 de fevereiro 2004

Veremos, de forma mais abrangente nos próximos capítulos, que as “consciências” que habitaram os corpos dos primeiros hominídeos, vencidas as etapas reencarnacionais que as trouxeram a nossa epoca - mais civilizadas devido as incontáveis experiências vividas ao longo dos séculos - são as mesmas que hoje, reencarnadas no homem contemporâneo, prosseguem sua jornada rumo a angelitude. Não poderia ser diferente, porque seja no espaço das artes, como das ciências, a obra do homem hoje atinge culminâncias que por si só demonstram que jamais poderiam ser o fruto do estudo e do aprimoramento profissional de algumas dezenas de anos de vida, mas da inclinação de almas virtuosas a se dedicarem, ao longo dos séculos, ao bem-estar de seus semelhantes.
Quem poderia ser Antônio Francisco Lisboa - 1730/1814 - chamado aleijadinho devido a enfermidade degenerativa que possuía, nascido filho ilegítimo do português Manuel Francisco Lisboa (autor da planta da igreja do Carmo da Vila Rica), com uma escrava negra, a não ser a reencarnação de Michelangelo Buonarroti - 1475/1564 – pintor, escultor, arquiteto e poeta italiano, cujas obras primas, entre elas “a Pietá”, enriquecem as paisagens de Roma!


La Pietá O Profeta Daniel
Michelangelo Buonarroti Antônio Francisco Lisboa

Conseqüentemente é a nossa consciência, a que permanece incólume e continua sua jornada mesmo quando os corpos nos quais reencarna retornam ao pó, que carrega em si mesma, ainda que inconscientemente, todo os conhecimentos que a enriqueceram ao longo dos milênios. Por assim ser, mesmo se na presente encarnação se viciou em possuir e usufruir os bens que o modernismo permite, no seu cerne, permanecem arquivadas, em estagio letárgico, as lembranças de todas as experiências que vivenciou no passado.


Essa é a eterna e imutável verdades que todos, mesmo os que afirmam que o homem nada mais é do que o mero produto de seus genes, terão que enfrentar algum tempo depois do seu ultimo suspiro.
São estas lembranças, cuja síntese veremos novamente a seguir, que devem ser despertadas para que suas verdades, inseridas no contesto da vida presente, levem o homem a se fortalecer para não sucumbir diante das tensões que o agridem, por não estar mais capacitado a conviver com as dualidades que sempre existiram e que permanecerão ainda por muitos séculos: noite e dia; frio e calor; tempestade e bonança, nascimento e morte; alegria e dor; amor e ódio, sucesso e insucesso e assim por diante. Mesmo porque, como tudo o que nasce deve morrer, ultrapassada a fronteira do tumulo, antes ou depois, crendo o não crendo, todos terão que voltar a se alimentar na fonte das verdades eternas.

Hinduismo: - “Deus, que só agracia aqueles que com seu próprio esforço souberam galgar os primeiros degraus da infindável escada de luz que leva até Ele”, permanece aguardando os que, infelizmente ainda uma grande parcela da humanidade, se recusam a ver e entender, enquanto na carne, que a essência da vida não é composta pelos valores materiais, mas os espirituais.
Um pouco mais adiante, porém, depois do túmulo que a todos aguarda, chega a verdade: Suave e amena como uma flor primaveril para os que se prepararam para ela, mas amarga e solitária para todos os demais.
A síntese, a suprema compreensão das escrituras, é que o mundo, as coisas que nos rodeiam, nossa própria vida, só tem um destino: o de amar a Deus acima de todas coisas, através de um amor incondicional que renuncia ao gozo dos sentidos e ao resultado das nossas ações.
As pessoas não necessitam deixar de fazer seus afazeres do dia a dia para tornarem-se devotos de Deus. O próprio Senhor Krishna diz no Bhagavad-gita, 3.9: A ação deve ser para Vishnu (espírito conservador do universo); de outro modo, ficas cativo do Karma (da ação) neste mundo. A ação atenta, assim associada, é perfeita, liberando-te. Se todas as ações forem feitas tendo em vista a satisfação do Supremo, então não haverá mais sofrimento.
”Os seres humanos ficam atados ao cativeiro do Karma das suas ações, a não ser que aquelas sejam feitas como um serviço desapegado (Seva, Yajna). Portanto, o Arjuna, torna-te livre do apego egocêntrico dos frutos do trabalho e faça as tuas obrigações eficientemente como um serviço a mim”.
Como se percebe, as ações direcionadas para o Senhor estão livres da reação do Karma, de modo que não é muito difícil entender que a razão do sofrimento está em agir de acordo com nossos desejos individuais porque são sempre egoístas.
Se for entendido que o nascimento e a morte são cíclicos, e o desejo de desfrutar as coisas que o mundo material oferece, é a razão do sofrimento, torna-se evidente que o livre arbítrio deve estar sempre voltado a agir de forma altruísta, portanto, sem outros interesses.

Budismo: - Siddharta Gautama, também conhecido como Shakya Muni, que nasceu em Kapitavasta ao sul do Nepal, com 29 anos, ao sair do seu palácio pela primeira vez, teve contato com um homem velho, um doente e um morto, isso o deixou desnorteado. Ao conhecer um monge (sannyasi), este lhe explicou que o que vira era natural, inevitável mesmo, porque fazia parte da vida dos homens. Siddharta ficou triste e preocupado, porque até aquele momento não tinha conhecido o sofrimento. Decidiu então descobrir o que devia ser feito para superar a dor.
Com este fim, submeteu-se a uma vida severa e ao jejum que o enfraquecem a ponto de quase morrer. Esta experiência lhe fez entender que a automortificação não era o caminho para a perfeição que procurava, e continuando a sua busca se transformou em um mercador errante. Segundo a tradição budista, uma noite, provavelmente por volta de 531 a.C, enquanto meditava deitado sob uma arvore na floresta Budhi Gaya, Siddharta é alcançado pela revelação - o estágio preliminar da iluminação - e desta forma conseguiu entender com clareza que a existência material é ilusória e que neste mundo tudo é transitório.
Ali mesmo, sob a árvore da Bodhi, Siddharta fez o voto para alcançar a iluminação total e para isso, por seis anos, adota a vida acética dos monges hindus e estuda o brâmane. Dotado de uma percepção aguçada e de um pragmatismo excepcional, depois de se dar conta que o hinduísmo e suas propostas estavam longe do alcance do entendimento do homem comum, compõe as quatro verdades nobres:
1) A dor existe e não somente permeia a existência humana, como a interpenetra.
2) A origem da dor está no desejo, nas paixões, e em especial no desejo de se livrar da dor.
3) A dor somente cessa quando o homem consegue superar o desejo.
4) O desejo só pode ser superado se o homem viver moderadamente de conformidade com o nobre caminho octogonal:
Percepção correta; Pensamento correto; Fala correta; Comportamento correto; Meio de vida correto; Esforço correto, Atenção correta e Concentração correta.
Aquele que viver segundo este caminho, evoluirá gradativamente até poder alcançar o “nirvana” que é uma espécie de extinção da dor do eu consciente, numa absorção final no Brahman, o todo.

Estoicismo: - Na Grécia, com o nome de estoicismo, desenvolveu-se um grande movimento filosófico fundado por Zenão de Cicio, que se manteve até o terceiro século d.C., reflorescendo na Roma dos Cezar. O estoicismo divide-se em três períodos:
A antiga Stoá, - III a II século a.C. - Cleante e Crisippo, seguindo os ensinamentos de seu mestre Zenão, fixam os pontos da doutrina stoica.
A media Stoá – II a I século a.C.- O estoicismo é contaminado pelo epicurismo, pelo neplatonismo e pelo pensamento oriental.
A nova Stoá – I a III século d.C. - É o período no qual o estoicismo se transforma na filosofia mais difundida entre os intelectuais romanos: Sêneca, o imperador Marcos Aurélio e o escravo Epíteto são os exemplos mais fortes. Nesta época, o estoicismo é restaurado e corrigido das contaminações que havia sofrido na fase anterior.
A origem do estoicismo é atribuída a Zenão, nascido em Cicio no ano de 333 a.C., perto da ilha de Cipro. Com 20 anos se transferiu para Atenas para freqüentar a academia platônica e ai fundou sua escola, cujos adeptos, reuniam-se sob um pórtico que continha uma pintura chamada “Stoá poikile”, nome que utilizou para promover sua doutrina.
A ele, aparentemente, porque seus testos foram perdidos, é atribuída a divisão da filosofia em lógica, física e ética, e o aspecto mais importante do estoicismo é a que a razão, dentro da sua lógica, pode facilitar o modo de viver de qualquer pessoa. Morreu no ano 264 a.C.
Lucio Anneo Sêneca nasceu em Córdoba, na Espanha, em 4 a.C. e morreu em Roma em 65 d.C. Foi preceptor de Nero, alem de seu conselheiro. No ano 62 se retirou da vida publica e três anos depois, acusado de traição, foi obrigado pelo imperador a se suicidar. Sêneca sempre foi cultor do estoicismo e a “Tranqüilidade da Alma”, uma das suas obras, exemplifica isso.
A crença fundamental do estoicismo é que tudo se mantem erguido através da razão. Para os estóicos, no cosmo nada é casual, porque tudo é dirigido por uma lei racional. Assim sendo, o inteiro curso do universo é perfeito e predeterminado, e tudo o que nele acontece, dá-se da forma que se dá, e não diferentemente, porque a lei racional que o controla determina que assim tem que ser.
Todos os fenômenos do mundo, por serem manifestações da lei racional, tem um fim que lhe é próprio, mesmo os que aparentemente são danosos ou inúteis. Desse modo às catástrofes, entre as quais os terremotos, são justificadas porque servem de expiação ou purificação a males do mundo. Desse pensamento, à atenção do estoicismo se volta para o conceito da lógica, lógica clássica que em épocas sucessivas, com a obra de Aristóteles, viria a formar o corpo lógico do próprio estoicismo. Portanto, para os estóicos, se cada aspecto obedece ao desenho do fato, então a liberdade do homem é só aparente.
A autentica liberdade do homem é a de aceitar o curso dos acontecimentos, em outras palavras, aceitar o destino como guia, e não como antagonista ao seu projeto de vida. Deste modo, pra os estóicos, a serenidade da alma só é possível seguindo o destino, uma vez que se contrapondo a ele - considerando que o que acontece independe da vontade do homem - só se chega ao patamar do sofrimento.
O sábio deve abster-se das paixões, deve contemplar o que acontece no mundo, no seu país, na sua cidade, no seu bairro ou na rua que diariamente percorre, como se fosse uma obra teatral que ele, como espectador, só pode observar sem poder intervir. Assim, não tomando partido em relação a nenhum destes aspectos, jamais vai se turbar ou se sentir agredido.
As paixões são um obstáculo para a vida feliz, porque levam o homem a desejar que se realize o que não pode se realizar, mesmo se o que ele deseja é algo factível aos outros. Todas as vezes que o homem deseja o que para ele é impossível, e não aceita o que efetivamente acontece, ele vai de encontro ao sofrimento. É por isso que o sábio não luta demasiadamente contra o que acontece a seu desfavor, mas o aceita por ser um capitulo do seu destino.
Um outro aspecto relevante do estoicismo é que, se o homem, em ultima analise, não pode lutar contra o seu destino, tem a obrigação de difundir os preceitos da doutrina estóica de forma a harmonizar as ações dos homens ao seu destino, para fortalecê-los diante dos “golpes” que eles chamam má sorte.
O escopo da vida, para os estóicos, é viver uma vida virtuosa, e a virtude é viver seguindo a trilha da razão. A felicidade está inserida na compreensão de que o homem é um ser racional que faz parte de um contesto racional que é o universo, e que só consegue a virtude ao compreender que as razões profundas da existência não são iguais para todos, porque estão ligadas a cada individuo de forma diferente.
Segundo Sêneca, é sábio aquele que age racionalmente e evita entregar-se as paixões, porque estas são a doença da alma. Isso é verdade porque a ira é uma delas, e quem se entrega a este sentimento perde a luz da razão e passa a cometer atos tão desastrosos como se estivesse louco.
De acordo com o seu parecer, o homem é tanto mais sábio quanto mais se da conta que é sempre necessário raciocinar para evitar as emoções. Este comportamento permite eliminar toda a gama de desilusões e dificuldade, que necessariamente o homem passional sempre encontra, porque este vive uma relação de conflito constante com a realidade, devido à excessiva grandeza de seus desejos.
A frustração é uma condição muito difundida, porque nasce do inevitável choque entre o que se deseja e a realidade que se consegue. De acordo com ele, as frustrações que melhor são suportadas são as que o homem se prepara para enfrentar. Desta forma, contar antecipadamente com uma realidade contrastante com o que se deseja é meio caminho andado. Se depois, pela razão que for, o sucesso é alcançado, muito melhor.
Para Sêneca, o destino do homem está na mão de uma força maior, força essa que decide autonomamente - segundo leis insondáveis - os eventos que o homem deve enfrentar. Substancialmente, os homens têm que entender que por mais que eles acreditem que podem driblar o destino, este de qualquer forma os golpeia no momento que quiser, especialmente depois de longos períodos felizes porque repletos de sucessos. Por esta razão, ninguém pode acreditar que tudo vai continuar bem só porque está vivendo um tempo de realizações. A própria morte, por não ter dia e hora agendada, pode acontecer, como inúmeras vezes acontece, nas horas menos impensadas.
Para combater a ansiedade, Sêneca pregava um remédio muito simples e pratico. Quando se tem a sensação, ou se prevê que alguma coisa de ruim pode acontecer, não adianta afligir-se, tem que se entender que, independentemente do que se quer, tem que se aceitar o que vai acontecer. Se o que vai acontecer é coisa ruim, esta é uma coisa só. Aquele que por não aceitá-la vai adoecer, está provocando a segunda coisa má, mesmo porque, enquanto os fatos acontecem, quem por eles é atingido pouco ou nada pode fazer.
Então o homem está totalmente na mão do destino? Não, segundo Sêneca, ele tem uma certa margem de ação, e esta margem é demonstrada por uma metáfora. “O homem é como um cachorro que tem uma das extremidades de uma corda de poucos metros amarrada ao seu pescoço, enquanto a outra extremidade está atada a uma carroça. O comprimento da corda lhe consente uma certa oportunidade de ação, mas continuamente terá que seguir a carreta em todos os seus deslocamentos se não quiser morrer enforcado”.
Moral da historia: o cachorro é o homem e a carreta o seu destino. Portanto, os que não seguem seu destino, propondo-se a combatê-lo frontalmente, jamais evitarão a catástrofe, porque a realidade é sempre muito mais forte de qualquer aspiração.

Evangelho de Maria: - “A matéria não tem nenhuma importância no mundo espiritual; vem do nada e ao nada volta: o que jamais existiu não terá existência. Existiu para um determinado fim, mas cumprida a missão é destruída em sua própria raiz”.
“O pecado do mundo não existe, a exceção daquele produzido pelo homem”. Eu vim com a finalidade de separar no homem o que é material daquilo que é espiritual, restituindo assim as duas naturezas as suas próprias raízes. Por isso que toda a matéria depois de nascer tem que morrer. É mais explicitamente diz: na mesma proporção que a matéria é necessária, é também danosa porque dela emana uma paixão que desequilibra o corpo.
“Todas as naturezas, todas as formações e todas as criações, subsistem uma na outra e uma com a outra, e serão novamente dissolvidas em suas próprias raízes, porque a natureza da matéria se dissolve tão somente na raiz da sua própria matéria”. Quem tem ouvidos para entender, entenda.
“Por este motivo o bem veio entre vos, na essência de cada natureza, para que seja restituída à sua própria raiz. E prossegue dizendo:” Por este motivo vocês adoecem e morrem, porque vocês amam aquilo que engana, ou seja, o que vos enganará. Quem consegue compreender, que compreenda. A matéria deu origem a uma “paixão sem igual”, que procede de alguma coisa que contraria a natureza, e isso causa uma desordem em todo o corpo. Por este motivo vos digo: coragem se estais aflitos, fazei-vos corajosos diante das múltiplas formas da natureza humana. Quem tem ouvido para ouvir que ouça.
Dito isso, Jesus se despediu dizendo: a paz esteja convosco, cuidai porem que ninguém vos engane com as palavras: vejam isso, vejam aquilo... O Filho do Homem em verdade está dentro de vos. Segui-o. Quem procura acha.
Estas são verdades eternas, e, enquanto quem as aplica no seu cotidiano, por não ser influenciado pelas frustrações, jamais é vitimado pelo Stress, os que passam a adotá-las, se estressados, são curados.

Por tradição, o horizonte profissional dos filósofos limita-se à sala de aula, à pesquisa acadêmica e à publicação de livros e artigos que poucos lêem. Pelo menos era assim, até que um grupo de americanos criou um novo ramo de atividade, o aconselhamento filosófico. Uma consulta custa em media 100 dólares, o mesmo valor de uma seção de psicoterapia. A atividade inclui a publicação de livros e palestras estilo auto-ajuda.
A principal estrela desse novo ramo da filosofia é o canadense Lou Marinoff, professor da City College de Nova York. Ele já foi palestrante no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e seu livro “Mais Platão e menos Prozac” (uma droga antidepressiva), foi publicado em 20 países, entre eles o Brasil, onde já está na sexta edição e tem a apresentação de Paulo Coelho.
A essência desse tipo de aconselhamento está na aplicação de conceitos filosóficos para resolver problemas do cotidiano. É, de certa forma, um retorno às origens, pois era isso que Sócrates fazia na Grécia antiga.
“A maioria dos que nos procuram são uma espécie de refugiados da psicologia e da psiquiatria” define Marinoff. “Nossa vantagem é que a filosofia lida com as grandes questões da condição humana, como a persistência do sofrimento e a certeza da morte, sem bagunçar as emoções das pessoas”.
Psicólogos e psicanalistas vêem nisso uma concorrência desleal e advertem sobre o risco de um filosofo recomendar Heidegger para um paciente com depressão. A pratica popularizou-se nos Estados Unidos nos últimos cinco anos.
Na Europa, o suíço Alain de Botton, autor do livro “Consolações da filosofia”, usa idéias de Epicuro e Sêneca para discutir temas como a falta de dinheiro e frustração profissional. No Brasil, um grupo de filósofos clínicos oferece serviços de aconselhamento. Mas em nenhum outro lugar se chegou à escala americana.
Autor de “If Aristóteles Ran General Motors” (se Aristóteles dirigisse a General Motors) e “the New Sout of Business” (a Nova Alma dos Negócios), o ex-professor de filosofia Tom Morris cobra 30.000 dólares por palestra de uma hora. Dois professores da Universidade de Stanford, Ken Taylor e John Perry, tornaram-se celebridades com o programa de radio semanal “Philosophy Talk” (conversa Filosófica). No ar, discutem temas como “A mentira é sempre ruim?” Ou “Você gostaria de viver para sempre?”
Também na Califórnia o filosofo Cristopher McCullough especializou-se em cuidar de investidores falidos com o estouro da bolha digital há três anos. Ele usa princípios estóicos cunhados nos três séculos antes de Cristo para ensinar como é possível se manter sereno mesmo depois de grandes perdas materiais. “As pessoas preferem uma boa conversa intelectualizada a tratamentos contra a depressão ou ansiedade”, diz McCullough. “Sem o divã do psicanalista, sobra mais espaço para a diversão”.
Fonte: revista veja de 31 de março 2004